A maior prova do Brasil

capa desafio das serras

Por: Plauto Holanda (@plautoholanda)


No final do mês de julho, bem no meio da região serrada do estado da Paraíba, mais precisamente na cidadezinha de Bananeiras, surge a maior prova de trail running já feita aqui no Brasil. Isso mesmo, nunca uma corrida por trilhas aqui no nosso país levou tantos atletas, foram 1.500 de várias partes, sendo em sua maioria da região nordeste.

O desafio das serras é um circuito, este ano composto por quatro etapas. Essa, a de Bananeiras-PB, é a 2° etapa desse grande circuito que roda o Nordeste. Ela tem uma mística muito especial, pois muitos atletas se atraem por ela e vamos descobrir o porquê.

Talvez um dos motivos seja por conta da própria região, que carrega um clima de serra gostoso, um friozinho bacana, que para todo nordestino já é de muito agrado; em torno de 17 graus pela manhã (mas ao meio-dia o calor aperta mais). Outro motivo é o fato de não ser muito longe da capital, João Pessoa, aproximadamente 130 km, facilitando muito o acesso.

A prova contou com 4 distâncias, 6,6 km com 300m D+ , 13 km com 400D+ , 27 km com 930m D+ e 50,5 km com 1.830m D+ . Para trail runners experientes pode parecer pouco, pois a prova permite imprimir ritmos mais rápidos, mas aí que mora o perigo, pois o percurso muda de cenário a todo instante, variando sempre entre estradas e single tracks e, em alguns outros momentos, um trecho mais plano. Outra coisa que pode pegar muitos atletas é o clima, que começa bem ameno no início da manhã, mas no decorrer vai esquentando bastante.

Os locais nos levam desde a estradões estilo tobogã, até trilhas úmidas e fechadas de mata, passando por singles abertos e com visuais fantásticos de lagos e rochas; cruzamos até com uma igrejinha charmosa no alto de uma colina, que era um dos pontos de apoio da prova. Outro ponto bacana é que passamos por diversas localidades de moradores, gente simples, raiz, ali daquela terra, que vive no meio da serra, com a pura alma nordestina.

Todos os pontos de apoio estavam sempre bem abastecidos, com frutas, azeitonas, água, energéticos e refri gelado, e com staffs sempre recebendo bem todos os atletas.

Por fim, para os que correram a prova mais longa vem um grand finale: a 1 km da chegada, os atletas se deparam com uma mega rampa, isso mesmo, uma subida insana, com inclinação surreal e bem longa, numa ruazinha de paralelepípedos que esfria qualquer tentativa de um sprint final de qualquer atleta.

A prova é simples em sua essência, sem grande fama, mas já guarda uma aura de grande evento, uma energia única, que tem atraído sempre mais e mais atletas para o trail running, e o mais fantástico: ela atinge dois grandes pontos, chama a atenção de muitas pessoas novatas para a trilha, agregando novos adeptos para a modalidade, e também atrai excelentes atletas competitivos, revelando assim grandes talentos para o esporte.


Números da prova:

1500 atletas
Ultra = 90 atletas
Half = 370 atletas
Fast = 550 atletas
Light = 490 atletas

Faixa etária predominante 31 a 48 anos

53% Masculino
47% Feminino

83% se hospedaram na região, na cidade e em cidades vizinhas.

Ultra 51km e 1850m D+;
Half 27km e 900m D+;
Fast 13km e 360m D+;
Light 6,6 e 215m D+.

Sobre Valmir Dias Lana Júnior

Diretor Revista Trail Running. Atleta de Ultra trail e chefe da delegação brasileira de Skyrunning.