Aberta a temporada de Trail Camp!

RTR Trail Camp

Após proporcionar uma experiência incrível aos atletas presentes no Trail Camp Passa Quatro, a Revista Trail Running e a AM2 já estão nos preparativos para os próximos.
Por Sinara Piassi


Se a palavra CAMP é nova no seu “dicionário trail”, aí vai a explicação: Em resumo, CAMP é a abreviação da palavra em inglês camping que significa acampamento. No caso da corrida de montanha, esse acampamento acontece em um local propício para a prática do esporte, reunindo os atletas para um final de semana (ou mais) de treinamento, aprendizado, desafios, lazer e gastronomia.

O Camp RTR

E foi assim que aconteceu o Primeiro Camp Trail da Revista Trail Running, na belíssima cidade de Passa Quatro, terras altas da  Mantiqueira, com sua imensa e surpreedente  Serra Fina. Entre os dias 16 e 18 de outubro, atletas e parceiros de vários lugares do Brasil se uniram para viver intensamente o trail.

Recepcionados pelo Tamboo Lodge, um chalé de montanha localizado a apenas 4,5km do centro de Passa Quatro, em um cenário perfeito, cercado pela Serra da Mantiqueira e localizado a 1.220m de altitude. Um local perfeito para se desconectar e sentir o que a natureza tem de melhor a oferecer.

Tambo Lodge
Uma experiência completa

Organizado pela AM2 Marketing Esportivo, muito além do tradicional, o camp foi a entrega de uma EXPERIÊNCIA COMPLETA; com planejamento antecipado, atenção aos detalhes e momentos inesquecíveis.
Os convidados e parceiros tornaram a experiência de apenas um final de semana um aprendizado para a vida toda, esses foram:

- Gastronomia de surpreendente com o chefe Paulinho Martins.

- Palestras sobre alimentação, suplementação e estilo de vida com a Nutricionista e chef Pamela Sarkis.

-Técnicas de treinamento, alongamento e fortalecimento para atletas de corrida com o treinador Pablo Simoneti da Universo Trail.

- Um papo sobre equipamentos, tênis e experiências com Sergio Garcia da Loja de materiais esportivos Equilibrio Esportes.

- As Fisioterapeutas locais, Gabriela Cordeiro Paiva e Cibelia de Oliveira Lima, prepararam um recovery no capricho para os atletas após os dias de treino.

- Os guias e atletas João Luiz Silva e Rafael Silva, que conhecem cada pedacinho do local, levaram os atletas por passeios surpreendentes.

- Os parceiros e patrocinadores do evento que fizeram os momentos ainda mais especiais foram:

MY SAFE SPORT  @mysafesport

A My Safe Sport garante por 24h o serviço de assistência ao Atleta que envolve identificação, intermediação em situações de emergência, seguro de acidentes pessoais e reembolsos para despesas médicas em caso de acidentes.

My Safe Sports

MONARO   @monarosports

A Monaro é uma empresa especializada na criação e produção de camisetas esportivas para grupos e corridas de rua. Qualidade e tecnologia no desenvolvimento de novos produtos: Sistema CAD de modelagem, Enfesto automática, Confecção própria, Estamparia automática, Sublimação digital

Monaro

PLENA PRINT @plenaprintgrafica

Situada na Região de Guarulhos a Plenaprint é uma empresa do mercado gráfico e tem o que há de mais moderno e eficaz em tecnologia o seu maquinário oferece um versátil leque de opções para atender de forma rápida e eficaz.

Planeta Print

WINE GROUP @wine.group_

Seu canal de consultoria no Universo dos Vinhos, vendas e roteiros das melhores marcas, apresentação dos rótulos e ofertas. Compre seus vinhos com descontos e recomendações dos melhores someliers.

Venha viver essa experiência. Venha para a Wine Group.

Wine Group

A Vivência

Um CAMP nada mais é do que uma celebração ao esporte e a vida. É ali que, depois de um dia intenso, cheio de atividades por lugares especiais, fazemos um brinde, cercados por novos amigos para trocar as experiências e compartilhar os momentos vividos. Sonhando os próximos dias, as próximas provas e planejando viagens.

Fica um convite

Temos um convite para você que está se preparando para sua primeira prova de trail, ou para o seu décima ultra, ou para você que só quer tirar alguns dias de férias recheados de corrida nas montanhas mais lindas do Brail: Participe dos próximos Trail Camps conosco e viva a experiência completa de um verdadeiro CAMP. Comece hoje as suas melhores memórias, pois, como costumamos dizer, a vida é agora venha viver com a gente o TRAIL! #nósvivemostrail

Os futuros Camps em nossos planos serão:

Tiradentes em Maio
Ubatuba em Junho
Passa Quatro em Outubro
Fernando de Noronha em Dezembro

Assista ao vídeo e sinta o que foi o nosso primeiro camp!
(link vídeo feito por Valmir Lana)

 

O TRAIL RESISTE

Retorno das Provas

Retorno das principais provas de Trail Running no Brasil com protocolos de segurança foi realizado com sucesso!

Por Sinara Piassi


O primeiro final de semana de novembro foi marcado pelo retorno das competições após 8 meses de paralização devido ao enfrentamento e controle da COVID-19 no país.

Com protocolos especiais as provas que marcaram o retorno foram:

Camelbak Mountain Race

No último dia 7 de novembro nas Praias Selvagens em Grumari – Rio de Janeiro – RJ, a prova contou com percursos aproximados de: 7,5km , 12km e 18km.

Camelbak Mountain Race

Desafio das Serras

O maior Circuito de Esportes de Endurance off Road do Nordeste, também foi realizado no primeiro final de semana 07 de novembro em BANANEIRAS/PB, com distancias de 5km, 10km, 25km e 45km.

Desafio das Serras OFf road

Desafio dos Falcões

Foi realizada no dia 07 de novembro no nordeste do país, em meio as  paisagens incríveis do Parque dos Falcões em Itabaiana, Sergipe . Percursos desafiadores com considerável altimeria nos 5km, 13km, 34km.

Desafio dos Falcões

O olhar do atleta

O atleta Sergio Garcia que participou da Camelbak Mountain Race, relatou para nós da RTR a emoção de estar de volta as competições:

Sérgio
“A sensação incrível de estar alinhado em uma linha de largada. Quase dava pra ouvir o pulsar dos demais competidores. A adrenalina, talvez parecida como quem está prestes a pular de um bang jump. O som da buzina, as passadas intercaladas com os demais competidores, hora na frente outras atrás. Os kms passando, o sino e a faixa da linha de chegada. Estou de volta!”

Novos protocolos devido à pandemia

Há alguns meses, flexibilizações nas medidas de isolamento social começaram a permitir a prática de exercícios ao ar livre em diferentes partes do país e, agora, as provas presenciais começam a retornar. Mas com os novos protocolos as provas que abriram o retorno anunciaram as seguintes medidas:

1. Medição de temperatura de todos antes da entrada na arena;

2. Obrigatoriedade de utilização e higienização com álcool gel no acesso ao local do evento;

3. Utilização de máscara em todo o local do evento, somente não houve a necessidade de utilização na corrida;

4. Espaço grupos e assessorias com distanciamento de 10 metros, e permitido somente 5 pessoas por vez no espaço;

5. Vários banheiros para utilização e todos com uma equipe de higienização constante; percursos planejados com vias de deslocamento de média e grande amplitude para fins de passagem entre os atletas e o seu devido distanciamento;

6. Não houve pontos/locais de hidratação coletiva, toda hidratação no evento foi feita com garrafas de água individualizadas;

7. Na chegada da corrida, todos os atletas receberam medalha de participação, água, frutas; em recipiente lacrado.

8- Premiação dos atletas somente com o uso de máscara no pódio.

Que venham as próximas!

O sucesso do novo formato, criado para estes tempos de pandemia, serviu para consolidar as próximas corridas. Espera-se que tudo possa voltar dentro de uma nova normalidade, e que os atletas tenham a sua preocupação e colabore com as medidas. As organizações estão fazendo tudo de modo enérgico e estão tomando todos os cuidados para que pessoas desatentas não venham a colocar todo o planejamento em risco.

Acesse nosso calendário das principais provas do Brasil e da Super Copa Trail, escolha seu próximo desafio e cumpra os protocolos!

Primeiro VK do Brasil é realizado em Minas Gerais na Serra do Caraça

VK Catas Altas

Uma prova desafiadora com adversidades e percurso extremamente técnico
Por Sinara Piassi


Horizontes Skyrace, o primeiro VK do Brasil teve a sua estreia no último domingo, 25 de outubro de 2020, no aconchegante município de Catas Altas aos pés de sua imponente montanha de beleza única: Serra do Caraça, localizada a sudeste de Minas Gerais.

A prova

Seguindo protocolos de segurança, com briefing técnico antecedendo a prova, a competição contou com aproximadamente 30 atletas previamente selecionados e já experientes. Com largadas individuais a competição teve uma distância estipulada em 4,4km com 1039m de desnível positivo, onde os atletas tinham como ponto final o cume do Pico Horizontes, com altitude de 1768m.
A chuva que deu início a semana da prova não deu trégua e a largada teve início as 06:30 am, com os atletas em escala curricular de velocidade mais baixa largando primeiro como previsto na regra da modalidade . A subida sinuosa e íngreme até o pico contou com travessias em córregos e cachoeiras com grande volume e força das águas da chuva, pequenos trechos de singletrack em meio a floresta úmida, lamaçal, samambaias cortantes e terreno extremamente escorregadio. Com vento forte e  temperaturas baixas, os últimos 700m até o cume contavam com cordas de segurança, água e staff. Todos os atletas atingiram o cume com segurança finalizando a prova.

O VK (Vertical Kilometer®)
Quilómetro Vertical (Vertical Kilometer®) é uma disciplina da modalidade de Skyrunning, que consiste na ascensão de 1000 metros com uma inclinação significativa e que não ultrapassa os 5 km de extensão linear. O Quilômetro Vertical está dividido em três níveis de altitude (variação de ± 200 metros), a saber, dos 0- 1000 m, 1000-2000 e 2000 a 3000 metros, com 5% de tolerância.

A organização
A Horizontes Skyrace contou com uma grande união de colaboradores e voluntários que foram peças fundamentais para realização desse marco no esporte outdoor: EcoAventuras Esportes, Marcos Lamego, Valmir Lana e a Revista Trail Running. Com apoio da Assetur Caraça e patrocinadores ( Pousada Terra Mineira, Mel Santa Bárbara, Pousada Jardim dos Elefantes).

RESULTADO FINAL

Feminino
Linabel Iramaia 1h19min
Sinara Piassi 1h24min
Cal Nogueira 1h35min
Masculino
Pedro Esteves 54min
Alexandre Santiago 56min
Luis Nei Resende 58min


COM A PALAVRA OS CAMPEÕES
Pedro Esteves
"A primeira edição da Horizontes Skyrace reuniu elementos de grande dificuldade, exigindo dos atletas pré-selecionados extremo esforço e atenção, orientados pela organização impecável. Foi uma honra dividir esse marco do Trail Run nacional com todos os homens e mulheres que também fizeram parte desse desafio.
Ser campeão da primeira prova de quilômetro vertical do Brasil é motivo de muito orgulho, ainda é difícil saber qual o tamanho dessa conquista, mas certamente o tempo vai dizer, já que essa modalidade vem ganhando força pelo mundo afora. Fizemos história!".

Linabel Iramaia

“Após sete meses com apenas o volume de treinos o 1º VK Horizontes Sky Race foi como um presente. Recebido com grande alegria por poder correr em um dia nublado e chuvoso, subindo mais de 1000m de altitude com muitos obstáculos, o tornando mais desafiador. Chegar no Pico dos Horizontes foi uma mega explosão dos melhores sentimentos que o Skyrunning poderia me oferecer, foi recheado de muita adrenalina. “

Vídeo por: Raphael Lopes


Opnião dos idealizadores

Marcos Lamego

“Há 20 anos residindo em Catas Altas, aos pés do Pico dos Horizontes, fui abençoado por poder admirar esta majestosa Serra do Caraça todos os dias, o que me fez indagar: Por que várias crianças que nascem nas praias viram surfistas e poucas que nascem nas montanhas viram montanhistas? Portanto para incentivar uma ocupação e utilização da montanha de forma ordenada e com respeito iniciamos através da Terra Mineira Eventos a valorização dos esportes de Montanha como vetor deste trabalho. Em 2019 fomos os pioneiros a preparar uma prova de Trail Run para a cidade, a 1ª Corrida de Montanha de Catas Altas - EcoAventuras. Dando continuidade neste programa, iniciamos o ano de 2020 realizando a 2ª edição do evento e fomos além com a produção do 1º Km Vertical do Brasil, o Horizontes Skyrace.
Confirmando a vocação natural da charmosa Catas Altas, o pequeno município Mineiro está também sendo carinhosamente chamado de Capital Brasileira dos Esportes de Montanha, consolidando como o destino no Brasil para quem busca qualidade de vida através da prática de atividades esportivas como a Escalada, Montanhismo, Canionismo, Trekking, Trail Run, Mountain Bike, Highline, dentre outros.”

Valmir Lana

“ Descobrir o VK em Catas Altas foi um grande momento para o cenário do trail nacional, principalmente para o cenário Skyrunning, que é uma modalidade muito desenvolvida na Europa.   Catas Altas apresenta montanhas magníficas e imponentes, que é a Serra do Caraça. Tinhamos dificuldade em encontrar uma montanha que tivesse grande nível de dificuldade e alto ganho de elevação em tão pouca quilometragem. Eu como representante do Skyrunning no Brasil, dei a ideia ao Marcos Lamego para qe pudesse organizar o KV. Não ajudei na organização da prova em si mas contribuí com todo o tipo de informação sobre a modalidade desconhecida. Nas divulgações pela Revista Trail Running, consegui atingir grandes atletas do trail no Brasil e leva-los para competição. Foi um evento teste e muito complicado devido as grandes chuvas nos três dias que antecederam a prova. Devido ao clima instável, os staffs não conseguiram atingir o cume e prova foi marcada até o km 4,4 com o ganho menor de elevação, porém homologada como o primeiro VK do Brasil. A realização de uma prova com esse nível de dificuldade, fomenta, e trás uma novidade dentro do cenário trail, sendo como uma nova opção que incentivará mais atletas a participarem. Espero que em breve surjam mais Kms Verticais  Brasil afora. Sonho um dia quem sabe criar um circuito de Km Vertical no Brasil. Buscar, inovar e criar novos atletas de novas modalidades e fazer o trail crescer, passa por essas ações. Demos um passo muito importante e quero parabenizar o organizador Marcos Lamego, por ter tido peito de realizar algo que ele nunca tinha feito antes.   Parabenizo também os staffs que pernoitaram na montanha e os atletas que foram muito corajosos de encarar o grau de dificuldade dessa prova.”

Primeiros detalhes da Copa do Mundo Unificada de Corrida de Montanha e Trail Running – 2021

Mundial Trail

O evento será organizado pela IAAF World Athletics e consistirá em 4 provas durante 4 dias consecutivos. A cidade sede ainda não foi definida pela federação.
Por Sinara Piassi


A Federação Internacional de Atletismo (IAAF) anunciou os primeiros detalhes do Campeonato Mundial de Corrida de Montanha e Trail Running  que organizará em 2021.
Será a primeira vez que as Copas do Mundo realizadas até hoje pelo IAU-ITRA serão unificadas. Os percursos serão definidos pela IAAF, com distâncias acima de 42 km e o World Mountain Running Association(WMRA) definirá as distâncias menores, um evento que trará uma grande visibilidade ao esporte em todo o mundo.

Modalidades e distâncias

Entre os aspectos mais marcantes quanto à organização do evento, destaca-se a duração, serão de três a quatro dias e ocorrerão antes de meados de junho ou após a segunda quinzena de setembro de 2021.
Segundo a IAAF, o formato da competição terá pelo menos quatro modalidades diferentes e poderá ser adicionada uma corrida promocional extra por iniciativa da organização local. São elas:

  • Um clássico de 12 km em duas voltas de 6 km e 300-450 m.
    Quatro corridas, sendo elas sênior masculino, sênior feminino, júnior masculino, júnior feminino.
  • Uma corrida vertical de 4-7 km com altimetria positiva entre 700-1000 m com duas categorias distintas feminina e masculina.
  • Uma distância de 40 km e 2.000-3.000 m de desnível, mista, com qualificação ITRA “S” masculina e feminina.
  • Uma Longa de 80 km e 3.500-6.000 m de desnível, mista, com qualificação ITRA “L” masculina e feminina.

Cidade sede

O processo de inscrição para sediar o evento começou no dia 16 de dezembro de 2019. Desde então, os candidatos tiveram 6 meses para formalizar a proposta e concluir todo o processo que será finalizado com a avaliação final das federações, durante os últimos meses do ano de 2020.

As cidades candidatas passarão por avaliações como: Disponibilidade de trilhas desafiadoras e rotas de montanhas nas suas proximidades, localização de aeroportos internacionais a 3 horas de ônibus, transporte garantido ou 1.400 lugares em hotéis três estrelas ou mais para atletas, oficiais da IAAF, mídia e famílias. Por fim, surge a informação chave: a taxa de hospedagem do campeonato foi fixada em 150.000 dólares, o que dará o direito de explorar comerciamente o evento através de patrocínios, ingressos, exposições, workshops e muito mais, fomentando a cena mundial do trail running.


*Lembramos que em 2020 não foi/será realizada a ITRA Trail Running World Cup, que nos últimos anos foi realizada em uma distância alternativa de 50 e 80 km e a WMRA foi cancelada no último dia 03 de setembro de 2020.

Grandes nomes e conquistas femininas

Patrícia Honda

Tema: “Grandes nomes e conquistas femininas”
Reporteres:  Sinara
Entrevistado(a): Patrícia Honda, atleta  multicampeã de diversas ultramaratonas entre elas a mais temida de todas, os 100km da Ultrafiord. De espírito aventureiro, Patti Honda como é conhecida no meio esportivo, adora testar seus limites físicos e mentais.

Perspectiva:

Com garra e perseverança elas conseguiram conquistar o seu espaço no esporte, provando para todos que as mulheres também conseguem ser boas em qualquer tipo de modalidade seja de força ou agilidade assim como os homens, mesmo sendo consideradas frágeis, elas são determinadas a mostrar que não é necessário este tipo de preconceito e que o esporte vale para qualquer sexo.  O caminho  Cada mulher que já subiu um pódio, levou consigo muito mais do que a medalha. A conquista de uma é resultado da luta de muitas outras no passado e, ao mesmo tempo, é a semente para que tantas mais venham no futuro. Nada disso veio de mão beijada. Por isso, pedimos licença para trazer aqui um pedaço da sua história.

1- Após quanto tempo na corrida tomou a decisão de encarar uma ultramaratona?

A corrida surgiu na minha vida na época da faculdade, quando estudava Direito na Universidade de São Paulo. Fiquei empolgada quando já no primeiro teste de 800m, na pista do Ibirapuera, o treinador da Atlética falou que eu levava jeito para a coisa. Mas a rotina era desgastante, pois eu frequentava o período diurno e os treinos começavam após as aulas do período noturno, estendendo-se até depois da meia-noite. Assim, infelizmente, desisti pouco tempo depois. Nos anos seguintes, intercalei algumas corridas de rua de 5 km com períodos sem correr. Em 2014, resolvi treinar, ainda sem planilha, duas vezes por semana com um grupo da academia. Um dos colegas de treino era corredor de montanha e estava se preparando para a La Misión, na Argentina, uma prova de 160 km. Na época, eu mal acreditava que algo assim era possível. Logo após conquistar os meus primeiros 21 km, fui convidada para participar de um treino preparatório dele de 100 km entre Atibaia e São Francisco Xavier. Topei, mas com a ideia de repetir os 21 km e depois seguir no carro de apoio. No entanto, excedendo todas as minhas expectativas, acabei correndo a minha primeira maratona, as primeiras 50 milhas e inacreditavelmente completei os 100 km. Fiquei feliz da vida ao descobrir uma habilidade inata para exercícios de resistência e, na corrida de montanha, um novo mundo de possibilidades e sonhos. Eu mal podia imaginar o quanto essa nova paixão mudaria a minha vida.

2- Sabemos que sua primeira ultramaratona foi o desafio do El Cruce.  Comente sobre a experiência de pegar os 90 k em 3 dias logo de início.

Fiz a minha inscrição no El Cruce, sem nunca ter participado de uma corrida de montanha, uma loucura. No entanto, já era uma pessoa extremamente ativa nessa época. Frequentava aulas de spinning, yoga, dança, musculação e corrida, sem planejamento algum e sem cobranças, pelo puro prazer de estar em movimento. Buscando me preparar para essa estreia, escolhi duas provas da K21 Series, da Salomon, como treino e acabei pegando o 1º lugar na minha categoria dos 21km da etapa de Campos do Jordão – minha estreia, e 3º na minha categoria na Serra do Japi, resultados super empolgantes para uma iniciante.

Meses depois, embarquei para a Argentina com um misto de apreensão e empolgação. Mesmo com a falta de experiência e sem nunca ter seguido uma planilha na vida, a vontade de correr descobrindo pelo caminho os encantos da Patagônia argentina e chilena foi uma baita motivação para completar todo o percurso. Claro que acabei aprendendo muitas coisas na marra: era frequentadora assídua da tenda de primeiros socorros com as minhas bolhas, não sabia como me livrar de cãibras – pois nunca tinha sentido isso  – até um corredor argentino me oferecer cápsulas de sal e descobri também que nunca devemos usar equipamentos sem antes testá-los nos treinos. Apesar de tudo isso, foi uma experiência mágica. Nunca vou me esquecer dos banhos gelados de rio, da vibe maravilhosa do acampamento, dos típicos churrascos argentinos e das pessoas incríveis que conheci, sendo que com algumas mantenho uma forte amizade até hoje. Aliás, foi por influência delas que acabei entrando para uma assessoria especializada em corridas de montanha e trail running em julho de 2016. Fun fact: na retirada do kit, em San Martín de los Andes, um integrante da equipe francesa veio pedir para que eu tirasse uma foto de todo o time com os seus respectivos números de peito e entre eles estava o François D’Haene, um dos melhores atletas do mundo. Na época, eu não tinha a mínima ideia de quem ele era.

3 Como foi sua trajetória e preparação para os desafiadores 100k da Ultra Fiorde da qual você foi campeã ?

Pelo fato de ser uma prova extremamente técnica em uma região inóspita e selvagem do extremo sul da Patagônia Chilena, famosa pelas condições climáticas instáveis – muitas vezes desfavoráveis, procurei realizar treinos desafiadores com uma mochila pesada e em terrenos variados, principalmente técnicos. Nos três meses que antecederam a prova, fiz a Travessia Petrópolis-Teresópolis, na Serra dos Órgãos, a Travessia da Ponta da Joatinga, no litoral norte do Rio de Janeiro e a Travessia Marins-Itaguaré, na Serra da Mantiqueira. O volume de treinos chegou a 140 km por semana com bastante altimetria. Além disso, realizei um treino noturno de 10 horas em Atibaia, para simular o cansaço de correr madrugada adentro e poder testar os equipamentos que seriam usados na prova, como headlamp e bastões. Ser a campeã geral em uma prova épica como essa foi um baita estímulo para continuar treinando duro e, com isso, acabei fechando a temporada de 2018 com importantes vitórias no currículo. A partir de então, a corrida ganhou uma nova dimensão na minha vida.

4- Qual seu estilo de prova preferido? E por quê? (prova mais rolada e rápida, técnica, progressão lenta.. )

Sempre gostei das provas mais técnicas, talvez pelo fato de muitas delas contarem com as paisagens mais bonitas e desafiadoras, como é o caso da Patagônia chilena e argentina. Além disso, curto muito treinar e competir na Serra Fina, em Ilhabela e em outros lugares que seguem essa linha mais técnica.

5- Já passou por alguma grande frustração em uma competição? Quais os pensamentos que você mais escuta durante a maior parte do seu caminho: são pensamentos leves ou competitivos?

Sim, justamente na prova mais importante do meu currículo, a Abutres Trail World Championships.

Não foi nada fácil conquistar uma vaga na seleção brasileira de trail running, por meio do Circuito Seletiva Mundial Trail 2019. Para isso, tive de competir em três ultramaratonas de peso em um curto espaço de tempo no segundo semestre de 2018, o que exigiu de mim muito treino e uma boa dose de determinação para avançar de objetivo em objetivo. Por isso, após tanta dedicação, foi frustrante ter que lidar com uma síndrome do trato-iliotibial no joelho esquerdo e uma instabilidade funcional do tornozelo, nos meses anteriores à competição, o que afetou os meus treinos, o meu psicológico e por fim, o desempenho na prova.

Fora este episódio, costumo ser muito tranquila durante as provas. Nem sempre foi assim, mas com a minha bagagem de competições, aprendi que devo confiar em todo o trabalho realizado até ali. Por isso, muitos que já correram comigo ficaram surpresos com a leveza que procuro conduzir uma prova. Acredito que as ultramaratonas já são suficientemente desgastantes do ponto de vista físico e que o meu corpo não precisa de mais pressão ainda na parte psicológica, por isso, procuro curtir as pessoas e os lugares por onde passo.

6- Sabemos que geralmente você não utiliza relógio nas provas, isso te deixa psicologicamente mais confiante e confortável?

Por anos, treinei e competi sem relógio por não sentir necessidade e me sentia bem confortável com isso. Durante a semana, como treinava na esteira, acabava não precisando mesmo. Já nos treinos de fim de semana, sempre ia para as trilhas com o Luis Robles, parceiro de treinos e perrengues, que me avisava quando o treino por tempo ou por distância tinha acabado (risos). Confesso que não tinha muita curiosidade sobre o nosso ritmo ou distância percorrida. Adorei essa fase em que corria livre, leve e solta, imersa na natureza ou em algum desafio. Foi um ótimo exercício de autoconhecimento, em que aprendi a sentir o meu corpo, a administrar o esforço físico e com isso acabei adquirindo maior autonomia, por não depender da tecnologia. Às vezes pegava um relógio emprestado só para controlar a alimentação durante alguma prova. Acabei optando por comprar um Garmin semanas antes do Mundial e hoje em dia uso pela praticidade de enviar automaticamente os dados dos treinos realizados para o meu treinador. Para o espanto de muitos corredores (em relação a algo que sempre me pareceu normal), participei de muitas provas longas sem o auxílio de um relógio. Foram provas como o El Cruce 90km, a Ultra Fiord 100 km, a Ultra Machu Picchu Trail 100km, a La Misión Brasil 80 km, dentre outras.

7- Fale sobre os seus próximos desafios em mente ou que sonha realizar.

No momento não tenho nenhum desafio programado por causa da pandemia e estou curtindo o descanso de competições. Quanto aos sonhos, tenho vontade me tornar uma atleta de montanha o mais completa possível e para isso, gostaria de incluir escaladas no meu currículo e participar de expedições de alta montanha. Sempre flertei com essas atividades e mais do que aumentar as distâncias ou as dificuldades físicas, quero aprender coisas novas, reinventar-me e assim redefinir os meus limites.

8– Qual a sua grande motivação para treinar e como concilia seu trabalho e treino, principalmente em épocas de competição. O que te move?

Conciliar trabalho e treinos de alto desempenho requer muita disciplina. Moro em Atibaia e trabalho em São Paulo como Oficial de Justiça, cumprindo os meus treinos após a jornada de trabalho. Nem sempre é fácil, muitas vezes acabava fechando a academia (por enquanto, por causa da pandemia, deixei de frequentar), mas sempre com um sentimento maravilhoso de dever cumprido.

A minha maior motivação e o que traz mais sentido aos meus treinos é que posso aproveitar todo esse meu preparo físico e mental também fora das competições, ao pedalar, correr, fazer trekkings, enfim, explorar a vida outdoor nas minhas andanças pelo mundo afora. Um exemplo disso se deu logo após eu competir na Ultra Fiord 100 km, quando aproveitei para dar uma esticada até o Parque Nacional Torres del Paine, destino icônico de trekkers do mundo inteiro, para fazer o clássico Circuito W de 71 km em 3 dias. Ao chegar em cada refúgio, trocava a minha cargueira gigante e pesada com a qual percorria as trilhas por uma mochila de ataque para conhecer os arredores do parque correndo. Uma recompensa e tanto depois de tantos treinos.

9 – Qual foi sua maior dificuldade dentro de uma competição? (altitude, temperatura, cansaço físico ou mental)

Correr a Ultra Machupicchu Trail 100km 2017 sob o efeito da altitude sem ter tido tempo hábil para uma boa aclimatação. A dificuldade para respirar na subida do Salkantay, nos Andes peruanos, era enorme em virtude do ar rarefeito, tanto que ao atingirmos os 4800m, havia uma equipe medindo o nível de oxigênio no sangue dos atletas. Outra situação desafiadora se deu na Ultra Fiord quando, ao cair da noite, fui surpreendida por uma nevasca durante a ascensão do Cerro Prat. A descida foi particularmente difícil, em virtude do nível técnico do terreno, com suas muitas pedras soltas e ainda por conta do frio intenso e da falta de visibilidade das marcações cobertas pela neve. Acabei sofrendo várias quedas por tentar sair dali o mais rápido possível.

No entanto, encaro esses desafios típicos de percursos mais exigentes como oportunidades de aprendizado e crescimento pessoal. Ao buscar ficar confortável com o desconforto gerado por essas situações e exercitar a minha autoconfiança e resiliência, acabo me tornando uma pessoa mais calma e flexível frente aos inevitáveis percalços da vida.

10- Das grandes experiências que você já viveu em provas e ao longo da sua jornada, o que você deixaria de conselho para as mulheres que sonham em se tornar ultramaratonistas?

Olhando para trás, vejo como foi essencial me apaixonar pelo processo e procurar tornar essa trajetória mais leve e divertida. Fazer algo prazeroso ajuda a desviar a atenção das dificuldades, por isso estou sempre em busca de novas aventuras. Além disso, acho importante construir uma boa rede de suporte nessa empreitada, cercando-se de bons profissionais e ótimos parceiros de treinos. Por fim, mas não menos importante: ouse sonhar sem limites. Todas somos capazes de feitos incríveis e por isso, deixo uma frase inspiradora de T. S. Eliot de que gosto muito: “Somente quem se arrisca a ir longe fica sabendo até onde pode chegar.” Só posso dizer que vale cada gota de suor.