Canfrac

Neste final de semana (12 e 13/09) 800 atletas disputaram, na Espanha, a Ultra-Trail® Canfranc-Canfranc, corrida de montanha cujo percurso principal, de 100km e 8.848m de ganho de elevação, fazem desta, a prova de 100km com o maior desnível positivo de altitude do mundo, acumulando, inclusive, dois quilômetros verticais, pelos 10 picks dos Pirineus Aragoneses.

Não só é uma corrida dura, mas também atravessa maciços rochosos bem conhecidos e míticos como Collarada, Anayet e Aspe, onde mais de 75% do percurso está acima dos 2000m de altitude.

A prova ainda conta com percursos de 75 km (6500+), 45 km (4000+) e 16 km (1600+). Devido à pandemia da Covid-19, as largadas foram individuais, com cada atleta largando sozinho a cada 30 segundos.

Marcos Ramos foi o campeão dos 100 kmom 18h15, seguido por Roberto Herrera (20h36) e Mario Rodríguez (21h05). No feminino, Jainone Sasieta foi a campeã, com 28h53, seguida por Marta Corahua (29h03) e Ana Campos (31h51).

Nos 75 km, Jordi Gamito foi o campeão, com 12h19, seguido por Ivan Agirrezabala (12h30) e Oscar Puyuelo (13h40). No feminino, vitória de Silvia Trigueros (15h17), seguida por Leticia Bullido (15h24) e Eli Ríos em 3º lugar.

Nós duros 45 km, o francês Tibaut Baronian foi o grande campeão, com o tempo de 5h15, seguido por Samuel Dávila (5h21) e Miguel  Heras (5h23). No Feminino a classificação ficou assim: 1 – Oihana Kortazar 6h37; 2 – María Ordoñez 7h37m e 3 – Eva Mesado 7h53.

Nós 16 km, presença do campeão mundial de trail, Luis Alberto Hernando, que foi o vice-campeão por apenas 2 segundos de diferença (1h47min37). O vencedor foi Servo Nadege (1h47min35). Didier Zago completou o pódio masculino com o tempo de 1h52min10. Os 16 km contaram com a presença do campeão mundial juvenil e de VK, Daniel Osanz e outros atletas que já foram campeões mundiais individuais ou na seleção espanhola. Ion Sola, com 1h52min18 e Daniel Osanz, com 1h52min34 completaram o pódio histórico, alternando Espanha e França, jovens e veteranos.

No Feminino, Servant Nadege ficou com o 1º lugar (2h08min), seguida por Sara Alonso (2h13), Gisela Bertran (2h14), Maite Maioria (2h16) e Olívia Magnone (2h21).


PROTOCOLOS

A prova seguiu diversos protocolos para prevenir a transmissão da Covid-19, como envio de kits para o endereço de cada corredor; congresso técnico on-line; largadas para as quatro distâncias distribuídas por três dias; largada individual separada por 30 segundos; aferição da temperatura dos atletas; uso de máscaras e álcool em gel antes da largada e após a chegada; manutenção de distância de pelo menos 5 metros entre os atletas durante a corrida; entrega de prêmios individual e posterior à prova; comidas e bebidas servidas em embalagens individuais nos PCs; proibição de espectadores na arena, entre muitas outras medidas.

Ryan Sandes

Por Wanderson Nascimento

A data de 25 de março de 2018 ficou marcada na história dos esportes outdoor e, em 2020, completaram-se dois anos do grande feito obtido pelo ultramaratonista sul africano Ryan Sandes, atleta Red Bull, que, junto com seu amigo Ryno Griesel, atingiu a fronteira do Nepal, estraçalhando todos os recordes da Grande Trilha do Himalaia, cumprindo o desafio em três dias a menos que o antigo recordista Andrew Porter o percurso de nada mais, nada menos, que 1.504 km de montanha em um clima assustadoramente hostil e traiçoeiro.

Não satisfeito, no ano seguinte, em mais um de seus “devaneios aventureiros”, Sandes criou um Desafio dos 13 Picos, unindo as maiores montanhas ao redor de sua cidade e, mais uma vez, contou com a companhia de um amigo. Dessa vez, o “maluco” escolhido foi Kane Reilly, acostumado a dividir outras aventuras com Ryan.

Em abril passado, Sandes ganhou novamente destaque na mídia esportiva durante a quarentena, quando correu 100 milhas no quintal de casa, na Cidade do Cabo. Mas nosso espaço aqui será para destacar os dois grandes desafios superados pelo atleta em 2018 e 2019, que ele contou para nós em entrevista à Revista Trail Running.

Vamos começar falando sobre a Grande Trilha do Himalaia (GTH). O que levaria uma pessoa a querer passar mais de 25 dias percorrendo montanhas, enfrentando cansaço, privação de sono, queimaduras de frio, encarando ou desafiando tão de perto a morte? De acordo com Sandes, executar a GTH já era um sonho antigo e, além disso, as montanhas do Himalaia são icônicas e o povo nepalês, incrível. “Eu sabia que esse seria um enorme desafio mental e físico”, declara.

Great Himalaya
Ryan Sandes e Ryno Griesel

E, obviamente, nada melhor do que dividir um momento tão especial e entrar em uma verdadeira “enrascada” com um bom amigo, não é?  Sandes afirma que já teve Rynon com parceiro em outras aventuras, como a Drakensberg Grand Traverse, como parte do projeto da Red Bull intitulado ‘Travailen’, em 2014. “Desde então nos tornamos bons amigos. Ele é o grande parceiro de aventura e nos unimos muito bem. Ele é atlético, muito forte e tem muita experiência em grandes montanhas”, explica.

O recorde anterior da travessia era de 28d13h56m. Para quebrar a marca, um grande e trabalhoso planejamento estratégico foi essencial. O objetivo, segundo Sandes, era moverem-se o mais leve e rápido possível nas montanhas. Dia a dia, eles foram cumprindo cada etapa. “Nós carregávamos equipamentos limitados e planejamos otimizar nossa rota e ver onde poderíamos dormir e conseguir comida. Era importante para nós fazer um dia de cada vez e não focar no objetivo final, pois isso estava muito longe”.

Para aumentar ainda mais o nível de dificuldade, Sandes explica que, em 2018, o inverno no Nepal foi um pouco atrasado, o que atrasou o derretimento do gelo e da neve, que dificultaram muito a navegação, afetando também o ritmo.  “Ficou muito frio e Ryno ficou congelado muito cedo em nossa aventura, o que foi um grande desafio. Acho que se não fosse pela navegação de Ryno, ainda posso estar lá no Himalaia (risos)”. No final, a privação de sono nos últimos dias deixou a dupla muito cansada. Eles dormiram cerca de 4 ou 5 horas nos últimos dias e isso também impactou diretamente seu emocional. “Senti muita falta da minha família durante os últimos dias do projeto, o que foi realmente difícil para mim”. Ryno foi o responsável pela navegação, utilizando principalmente um GPS portátil e backup de mapas.

Quem corre uma ultramaratona de algumas horas de duração, sabe que passam vários filmes em nossa cabeça, que problemas são resolvidos e sofremos muitos altos e baixos, imagine então todos esses dias praticamente escalando montanhas geladas? Sandes explica que o povo nepalês foi incrivelmente gentil e acolhedor durante a travessia, salvando a vida da dupla algumas vezes, permitindo-lhes dormir em suas casas e dando-lhes comida. “A maior lição que aprendi foi a importância de ser gentil, pois você nunca conhece a circunstância de outra pessoa. Ver o quão difícil Ryno teve que se esforçar para continuar depois que ele havia congelado era insano e isso me fez perceber o quão forte a mente humana é. Uma lição valiosa que aprendi no projeto nunca foi tomar as pequenas coisas da vida como garantidas”, destaca.

Os últimos 300 quilômetros foram feitos com pequenos cochilos de 10 a 20 minutos no caminho, e com paradas pontuais para alimentação. Nesses 25 dias, Ryan e Griesel enfrentaram extremos: o cansaço, a dor, queimaduras de frio, uma lesão feia na perna de Ryno e diversos outros “perrengues”, mas concluíram o desafio com sucesso absoluto, podendo ser considerados como loucos pela maioria das pessoas, mas como super homens por aqueles que amam as montanhas e vivem o trail, como nós.

 UM ANO DEPOIS, MAIS UM DESAFIO PARA QUEM SE ALIMENTA DE ADRENALINA

Ryan Sandes parece mesmo ser movido a desafios. A adrenalina é o combustível para o sul africano. Pouco mais de um ano depois de esmagar o recorde da Grande Trilha do Himalaia, em um belo dia, ele começou a desenhar mentalmente um percurso que uniria os 13 maiores picos ao redor da Cidade do Cabo e resolveu cumprir esse percurso em apenas um dia. O que começou como um desafio pessoal, transformou-se em uma aventura acessível a “todos”. “Adoro aventuras e experiências épicas, por isso estou muito empolgado com o que o Desafio dos 13 Picos pode se tornar”, declara.

Mais uma vez, Sandes precisava de um comparsa para dividir momentos tão especiais e o escolhido, dessa vez, foi Kane Reilly, um grande amigo que também já tinha um histórico de parceira com Ryan em outras aventuras, porém, nunca havia corrido mais de 60 km em um único dia. Em seu desenho de percurso, Sandes estimava que seriam apenas 40 ou 50 km e estava ansioso para ter aquele dia divertido nas montanhas com seu amigo Reilly. No entanto, a realidade do percurso pegou ambos de surpresa. Os 40 ou 50 km, na verdade, a rota ultrapassava os 100 km. E agora? Perrengue à vista!

Desenho do Percurso 13 Picos

Eles saíram cedo e planejavam estar em casa antes das três da tarde, porque Kane tinha que ajudar sua namorada com uma mudança. Naquele clássico esquema de trilheiros de que “a gente volta cedo”, ou “vai ser tranquilo”, a aventura acabou se prolongando muito mais que o previsto. “Estávamos mal preparados e nossas baterias das lanternas acabaram subindo o último pico. Felizmente, percorremos uma ou duas cidades e recebemos algum apoio da família, o que ajudou. Foi uma aventura muito divertida para nós e foram apenas os 15 km finais que foram realmente difíceis”.

As oito horas e 50 km previstos acabaram se transformando em 19 horas, 102 km e 5800m de ganho de elevação. A missão foi abortada justamente nessa última subida, devido à falta de baterias das lanternas, mass Sandes afirma que eles não se frustraram. “Era importante colocar a segurança em primeiro lugar, pois as montanhas sempre estarão lá. Estávamos muito, muito cansados, mas felizes, pois tivemos 19 horas incríveis nas montanhas. Foi apenas no dia seguinte que pensei que isso seria incrível, criando um desafio pessoal para todos”.

Ryan explica que houve um momento em que diversão meio que se dissipou e ele começou a ter uns flashbacks dos Himalaias… daqueles dias realmente intermináveis em que pensava apenas em seguir adiante. “No final, vencemos 12 picos e meio e não conseguimos dar a volta final, mas foi um daqueles dias épicos que ficarão na minha memória para sempre”.

Sandes conclui explicando que o melhor desse percurso é que você pode correr e caminhar por vários dias, dois dias ou um dia, por exemplo. É uma aventura para todos e existem muitas maneiras diferentes de experimentar a montanha. “Acho que o principal desafio é conhecer a rota e a Table Mountain pode ser uma montanha pequena, mas o tempo ainda pode ficar muito frio, molhado e ventoso lá em cima”, conclui.

Como dissemos anteriormente, Ryan Sandes não se aquietou nem durante o período de quarentena e resolveu percorrer 100 milhas, completando 1500 voltas ao redor de sua casa, em pouco mais de 26 horas, com um desnível total de 4500m. Realmente Ryan Sandes não sabe brincar!

  • Great Himalaya
  • Great Himalaya 13 picos
Xc - Run

No ano de 2009, com a ideia e o objetivo de oferecer aos corredores um novo desafio e conceito de prova, surgiu uma maratona trail com belíssimas paisagens, passando por variados terrenos, em uma junção de esporte, natureza, viagem e amigos. Assim o próprio organizador, Bernardo Tillman, define a XC Run, competição que é realizada em duas ocasiões, em locais distintos, porém icônicos, lindos e desafiadores, ambos no estado do Rio de Janeiro: Itaipava e Búzios, cidades com diversos atrativos turísticos para os corredores e toda a família.

Nas provas, os atletas poderão desfrutar da experiência de correr em diversos pisos, desde trechos de asfalto e paralelepípedos, passando por estradas de terra, dunas, costões e, claro, muita trilha técnica, com direito a travessias de cursos d’água.

A prova pode ser disputada nas modalidades solo e com revezamento (dupla e quarteto). Segundo Bernardo, não é todo mundo que consegue completar uma maratona, portanto, a organização optou por oferecer a opção de revezamento, estendendo a oportunidade de participação para mais atletas.

Ao longo dos anos, a prova vem crescendo e conquistando mais atletas. Na primeira edição foram pouco mais de 150 e, na quarta edição, esse número já havia aumentado em 10 vezes, reunindo 1500 atletas. A partir da sexta edição, os organizadores tiveram que limitar a 2200 participantes. De acordo com Bernando, os principais fatores do sucesso da XC Run foram o crescimento consciente da prova e a energia dos atletas. “Por parte da organização, temos um cuidado especial com cada detalhe, para que a experiência do atleta seja a melhor possível, da retirada do kit, até a premiação e a festa de confraternização”, afirma.

Mesmo com grandes desafios, como a burocracia e a falta de apoio e cultura do esporte por parte da sociedade em geral e também de patrocinadores, a organização driblou os obstáculos, consolidando a XC Run como uma das provas mais desejadas do país.

Bernardo destaca, ainda, que a expectativa para os próximos anos é continuar proporcionando uma experiência única para os atletas e investir cada vez mais nas provas kids, além de criar uma prova dentro da XC Run para os adolescentes, incentivando as futuras gerações de atletas.

Quem não correu a XC Run e bateu a vontade de conhecer os belos percursos de Itaipava e Búzios, confira as datas e informações detalhadas no site oficial da prova: www.xcrun.com.br

WTR World Trail Run

Por: Wanderson Nascimento

No último sábado, 23 de novembro, voltei ao Vale das Videiras, onde já havia disputado algumas corridas, para conhecer a World Trail Run – WTR Serra do Mar. A prova conta com percursos para todos os gostos, desde os adeptos às curtas distâncias, com 8 e 16 km, até os mais aventureiros, que preferem distâncias maiores, com os 26 e 52 km (com pontos Itra), cada uma com seu nível de dificuldade, mas todas compartilhando da beleza natural do lugar, rodeado por grandes montanhas, repletas de trilhas.

Alinhei para a distância de 52 km e seus quase 3000m D+, cujo percurso sofreu algumas alterações, que o deixaram ainda mais “cascudo”. No start list, grandes nomes do trail nacional, como Wellington Carius, Ernani Souza, Iazaldir Feitosa, Manuel Lago, Messias Vargas, entre outros. Depois de uma semana chuvosa, o sábado amanheceu nublado, porém a chuva não deu o ar da graça durante a prova, para o azar dos atletas, que sofreram ainda mais com o forte calor e a umidade.

A grande característica do percurso é sua primeira metade muito travada, com a maior parte do desnível positivo concentrada naqueles 26 km, incluindo o ataque à famosa Pedra do Cuca. Chegar à primeira metade com força nas pernas é o grande desafio, que infelizmente não cumpri. Estava bem colocado, fazendo tudo como planejado, mas após a saída do sol e o esforço acumulado até então, meu corpo não reagiu bem e preferi não encarar a segunda metade, mais rolada, porém finalizando com uma grande montanha no Km 45. Abandonei a prova no drop bag, no km 25, depois de pouco mais de 1600m D+ e 3h30 de prova.

No entanto, esses 25 Km percorridos Foram suficientes para constatar a excelência da organização, que é por conta da Speed Eventos Esportivos. Sinalização simples, porém extremamente eficiente, com fitas nas árvores e setas no chão; staffs estrategicamente distribuídos e muito bem orientados e prestativos; PCs e pontos de hidratação muito fartos, com água, isotônico, chocolate, frutas, paçoca, bananinha, amendoim salgado, Coca Cola, entre outros; premiação por categoria de 5 em 5 anos em todos os percursos; kit com boné e camiseta de excelente qualidade, entregues com presteza; eficiente comunicação ao atleta; muitos fotógrafos no percurso, inclusive os da própria organização; percursos duros, explorando as melhores trilhas da região; enfim, tudo que o verdadeiro corredor de trilha gosta.

Infelizmente não consegui concluir todo o percurso, mas isso só serviu de motivação para voltar no próximo ano e ter a honra de tocar o sino da chegada, que é o símbolo dessa prova espetacular.

Mountai Do

Por: Wanderson Nascimento

No último final de semana (29 e 30/06), tive a experiência de correr, pelo terceiro ano consecutivo, o Mountain Do Costão do Santinho, prova disputada na região norte da chamada Ilha da Magia, explorando uma diversidade de terrenos e paisagens daquela ponta de Floripa.

Nos dois anteriores, disputei a distância de 21 Km, que oferece a oportunidade de correr pelas praias do Santinho e uma parte da Praia do Moçambique, chegando também até o início da Praia dos Ingleses, passando, ainda, por costões, dunas e bosques, proporcionando diversas sensações e estímulos ao corpo e a mente. Nas ocasiões, conquistei o 2º e o 3º lugar geral, em 2017 e 2018, respectivamente.

Neste ano, meu primeiro de provas um pouco mais longas, a intenção era explorar um pouco mais os terrenos da ilha. Como não foi possível fazer os 65 Km, parti para a charmosa distância dos 42 Km, que percorre toda a extensão da Praia dos Ingleses – mais de 5 Km – e da Praia Brava, explorando dois outros costões, antes de fazer o restante do percurso dos 21 Km.

Ao ver o gráfico da altimetria da prova, com seus 1200m de desnível positivo, nos enganamos quanto ao nível de dificuldade. A alternância de terrenos e, consequentemente, de estímulos e velocidade, juntamente com o calor e a umidade típicos da beira-mar, a tornam uma prova bem dura, com trechos bem técnicos e exigentes, como os costões, como suas grandes pedras para serem escaladas e as dunas, com sua areia quase movediça, sem contar os longos trechos de praia, cujos ventos contra o peito aumentam nosso esforço para transpor o percurso.

Sobre a prova em si, uma das grandes vantagens é poder correr 42 ou 65 Km sem peso extra, uma vez que a organização disponibiliza pontos de hidratação a cada 3 ou 4 Km.

Largamos às 7h, junto com os participantes dos 65 Km, podendo cruzar toda a Praia do Santinho contemplando um belo nascer do sol. Depois de alguns dias nublados, deu para perceber que iríamos encarar um dia ensolarado. Já no segundo costão, na Praia Brava, com pouco mais de 10 Km, o sol começou a castigar.

Eu e outro atletas nos destacamos dos demais. Usei os primeiros quilômetros para sentir como estava o corpo e estudar o adversário. Logo percebi que ele era superior nas partes técnicas,mas eu levava vantagem nas partes rápidas. Na volta da Praia dos Ingleses, ao retornar da Praia Brava, com cerca de 18 Km de prova, eu estava com uns 500m de desvantagem e aproveitei a longa extensão plana e o vento a favor para impor um ritmo forte, porém controlado, e lançar um ataque, sabendo que, adiante, teria o percurso de 21 Km, o qual já conhecia muito bem.

Assumi a liderança e abri uma vantagem considerável, pois sabia que ainda tinha dois costões e dois trechos de dunas para encarar, sendo os últimos 3 Km bastante duros e técnicos, podendo decidir a prova, caso não tivesse uma vantagem suficiente. Na volta, retornando novamente pela Praia do Santinho, encontramos com os atletas dos 09 e 21 Km, que largaram às 9h e vinham no sentido contrário. A energia e o incentivo desses atletas é impressionante. Uma vibe espetacular.

A estratégia funcionou e consegui chegar ao Costão das Aranhas com mais de 30 minutos de vantagem, o suficiente para enfrentar aquele trecho técnico com segurança para cruzar a linha de chegada, dentro do resort Costão do Santinho, em 1º lugar geral, com uma energia muito agradável do público que acompanhava a prova.

A premiação, no dia seguinte, com um belo almoço e a oportunidade de fazer aquela resenha com os amigos, encerra com chave de ouro mais uma edição deste evento, que, mais do que uma corrida, é uma oportunidade para conhecer alguns dos encantos da Ilha da Magia.