Cição Pau no Cat

Comecei a correr em 2003, como um hobby – até o passatempo mudar a minha vida e fazer parte da minha rotina. De lá pra cá, vivi o mundo de corridas de rua intensamente, completando algumas maratonas e inúmeras outras distâncias, na montanha foram mais de 20 ultras. Sem dúvida,  que cruzar a linha de chegada é maravilhoso, mas o processo para chegar até lá é o grande barato, montanhas, paisagens, lugares que eu nunca imaginaria correr. O ano de 2009 marcou a minha estreia em provas de montanha. O El Cruce de Los Andes prova 100 quilômetros, que tem como propósito correr pela Patagonia entre Chile e Argentina foi onde tudo começou.  Pra mim foi um evento sob medida, pois naquela época da minha vida, estava mesmo em busca de uma renovação pessoal e espiritual e foi nas montanhas que encontrei. Passei por maus bocados naquela prova, pois ali estava fazendo a minha migração das provas de rua para as provas de montanha. O frio, o desconforto, a minha falta de experiencia, fizeram daquela prova, um teste único para mim se de fato eu seguiria fazendo provas daquele tipo ou simplesmente eu voltaria pra as provas rua.

De lá pra cá, se passaram 10 anos e com inúmeras provas feitas ao redor do globo, posso me considerar um “old is scool” do nosso trail. Uma vez, lendo uma revista de esporte, me deparei com uma matéria intitulada assim: “100 coisas que você precisa realizar no esporte antes de morrer” e uma delas dizia o seguinte: não importa qual posição, mas lute para subir num pódio uma vez na vida, confesso que tive a honra de conseguir alguns e até ter me sagrado campeão numa das provas mais lindas que fiz na vida que pra mim, foi uma experiencia sublime. Os 100km da Mongólia Sunrise to Sunset (MS2S), aconteceu a 15.744km do Brasil, disputada ao lado do Lago Hovsgol, em meio a natureza quase virgem, confesso que nunca passou pela minha cabeça chegar em primeiro, ainda mais correndo com caras de mais de 40 países, mas quando nos últimos quilômetros eu percebi que não poderia ser mais alcançado, me debulhei em lagrimas e a música tema da vitória, vinha a todo momento na minha cabeça, me senti o Ayrton Senna numa manhã de domingo sabe?.

A minha conexão com as montanhas será eterna, o ano era 2012 e pouco antes de ir pros 80km do Desafio das Serras, perdi o meu pai e levei as suas cinzas junto comigo para essa prova. Passado o primeiro dia de prova e já durante a noite da primeira etapa, fui ao topo da montanha fiz uma prece e joguei as cinzas do meu velho no alto da montanha da Serra da Bocaina. A partir daquele momento, todas as vezes que estou correndo eu me pego conversando com o meu pai, por vezes sorrio e algumas vezes caio no choro.

Me considero um cara estudioso e para o tipo de provas que mais prefiro que são as de longa distância o estudo do regulamento, traço o planejamento correto e exerço a humildade de conversar com os mais experientes, são essências para tomar boas decisões e procurar errar o menos possível durante qualquer prova.

Carrego comigo alguns mantras que me ajudam a ficar vivo e sempre preciso os uso e os meus preferidos são: “vamos lá que hoje é dia de pãozinho quente”, “vamos lá, um passo na frente do outro, que a linha de chegada está mais próxima”, para a dor eu tenho outra que é ótima: “A dor que estou sentindo, não é uma dor é apenas um desconforto momentâneo e já vai passar”. Veja não tem nada de especial, mas produz um efeito analgésico em mim que é incrível e a frase clássica de minha mãe: “engole o choro e vai em frente”, e por último tenho mais duas que adoro “a trilha coloca cada um no seu devido lugar” e “é preciso suar grosso se você quer muito algo, suar grosso”.

Se posso deixar uma mensagem para os amigos leitores da trailrunning, jamais terceirize os seus sonhos, ele é seu, portanto, tem o seu nome, o seu cpf, lute, sue grosso que você vai conseguir!

 

Um beijo Cicao

Carlos Sá

Correr pela montanha nos transforma, ajuda-nos a libertar o stress diário, ganhar auto estima, descobrir um mundo maravilhoso e encontrar nosso equilíbrio emocional. Foi com esse propósito que, há cerca de 20 anos, saltei do sofá e comecei a me aventurar nas montanhas mágicas que escondiam segredos sem fim.

Essa foi a maior vitória da minha carreira, dar o primeiro passo. Foi muito doloso nos primeiros meses ou até anos, mas a satisfação de cada conquista feita superava todo o sacrifício deixado nessas subidas loucas, com pedras enormes, colocadas em nosso caminho, para o desafio ser somente para os mais audazes.

O gozo e adrenalina eram tal, que rapidamente saltamos da média montanha para a alta montanha; escaladas nos Pireneus, Alpes e Andes eram colocadas nos novos calendários de cada época. Chegamos a um ponto que precisamos destes desafios para viver, sem eles fica um vazio enorme em nosso interior.

Mais tarde, com o aparecimento do Trail Running e as marcas a produzirem material cada vez mais técnico e eficiente, começa a ser possível desafiar essas mesmas montanhas de uma forma mais veloz, onde a nossa superação é ainda maior. Nessa altura, começo a introduzir desafios pessoais, não só fazer provas de trail e ultra trail.

Nos desafios pessoais, tais como bater o recorde mundial no Aconcágua, estou eu e a montanha em pleno desafio, não tenho que me preocupar com outros aventureiros ou corredores, somente respeitar as regras da mãe natureza e ouvir nosso corpo, para ter a inteligência de saber dar a volta quando ele nos envia sinais de alerta.

Essa forma de superação de desafios e saber estar em meio natural ajuda-nos nos desafios diários da nossa vida. Por vezes, o saber esperar nosso momento e respeitar nossos limites são maiores que qualquer vitória.

Já fiz muitos desafios extremos, como cruzar em autonomia a Gronelândia, subir e descer o Aconcágua com os quase 7.000 m na Argentina em cerca de 14 horas; vencer os 217 km da Badwater, no Vale da Morte; correr os 340 km com 30.000 metros de desnível positivo non stop do Tor des Geants em 80 horas; correr por seis vezes os 250 km da Marathon des Sables, no deserto do Sahara; ou até o Ultra Trail du Mont Blanc, do qual participei seis vezes, ficando várias vezes no top 8. Estive algumas vezes no meu limite físico e emocional, mas tive sempre a capacidade e o controle de não o ultrapassar; desisti muitas vezes, quando achava que estava a ultrapassar essa fronteira. Nenhum desafio é maior ou mais importante que a nossa saúde e bem estar.

Portanto, quando colocarem desafios em vossas vidas, ou carreiras desportivas, tirem o máximo de prazer e satisfação de toda essa experiência fantástica, sendo o trail e ultra trail desportos de grande exigência e superação, o mesmo não deve ser algo que nos traga mais sofrimento do que prazer.

Corram atrás dos vossos sonhos! Sejam felizes!

Maicon Cellarius

Ao contrário do que muitos pensam, posso dizer que sou um bebê no Trail Running. Minha prática da modalidade se iniciou em 2015, em Corupá/SC, no Corupá Mountain Festival, da TRC. Naquela oportunidade, tive o prazer de iniciar na montanha, fazer minha primeira maratona e sentir câimbras do km 19 ao 42. Com tanta dor, em tão pouco tempo, como não se apaixonar?

Meu nome é Maicon Cellarius, tenho 33 anos, casado e com duas filhas encantadoras. Apaixonado por esportes desde sempre, já fui do Judô, Handebol, Futsal, Mountain Bike e da Corrida. Em todos os esportes, sempre fui um “bom amador”, sendo competitivo na maioria deles, mas nunca um atleta com possibilidades profissionais.
Na corrida, comecei praticando como a maioria, correndo sozinho na rua e participando de algumas provas. Em abril de 2014 entrei num grupo de corrida, na Long Life Academia, em Blumenau, onde conheci minha treinadora, sócia, esposa e companheira de vida, a Débora Wanderck, ou simplesmente, a Dé!

Daí pra frente foi uma certa loucura: em abril comecei a treinar corrida de rua, em julho fiz minha primeira meia maratona pra 1:24:05, em agosto entrei na FMD de Blumenau para treinar para provas de 800m de pista, em outubro participei do primeiro JASC fazendo os 800m para 2:04, tempo não suficiente para me levar pra final. Em abril de 2015 eu participaria do meu primeiro estadual e, nesse meio caminho, surgiu Corupá e as montanhas… Não deu para conciliar prova de 42k de trilha e a prova de 800m de pista. Adeus, pista!

Dos 42k de montanha, em fevereiro, para os 45k de montanha na Ultra dos Perdidos, em julho e os primeiros 100k na Indomit Costa Esmeralda, em outubro. Sim, eu pulei algumas etapas… Mas foi nesses 100k que eu tive a certeza de que o meu mundo era o trail e, principalmente, as longas distâncias.

Como eu disse no começo, minha história no Trail Running é bem recente… Mas não significa que seja curta! 2015 se encerrou e a corrida foi me dominando, não apenas como atleta, mas também como organizador e, agora, juntamente com a Dé, como treinador. Voltei para a faculdade e estou cursando Educação Física na FURB.
Junto com a Dé e com o Maurício Pamplona, conhecido Buluca, temos a Ultra Trail Eventos, que organiza eventos de Trail Running em Santa Catarina desde 2016, com provas como a Rota das Águas, que chegam a 3.000m de desnível positivo na distância de 50km e a ODISSEIA Ultra Trail Run, primeira prova de 3 dias no Brasil (www.uteventos.com.br).

Junto com a Dé, temos a Life Runners, com treinamento presencial e online de corrida de rua e de trail running, com atletas de vários estados brasileiros @liferunners_oficial).
Entre as minhas aventuras como corredor, duas são as que me trazem as mais incríveis lembranças, momentos que transcendem o esporte e marcam a vida:

  • Ultra do Bem: em 2016, nós reunimos alguns amigos, dentre eles o grande Daniel Meyer, e resolvemos criar uma corrida/diversão de 320 km e cerca de 5.000m de desnível positivo. Um “passeio entre amigos” pelo circuito Vale Europeu de Cicloturismo. Objetivo: concluir o circuito em 60 horas, mas podendo levar até 72 horas. Naquele ano, somente eu concluí o trajeto completo, com o tempo de 49h20min, muito melhor do que qualquer plano. Em 2017 ela se tornou a Ultra do Bem, consegui completar novamente, agora com 44h46min, o Dani completou também, com pouco mais de 55 horas. Mas nesse ano o destaque foi para a arrecadação de quase 2,5 toneladas de alimentos para doação e a participação de muitos familiares, amigos, conhecidos e desconhecidos.
  • A Ultra Fiord 2018: correr os 50k da Ultra Fiord em 2017 foi mágico, tanto que eu quis voltar pra lá em 2018. Mas, porque ir pra lá correr uma distância só? Consegui autorização da organização (depois de insistir bastante) para me inscrever em quatro provas consecutivas, fui pra lá fazer o KMV, os 50k, os 42k e as 100Mi. Mas essa história não vou contar toda aqui, ela está disponível no Youtube, no Documentário “Uma Vida Ultra”.

O Trail Running me proporcionou muito. Desde 2015 se tornou minha profissão; em 2016 continua sendo meu hobby. Prmitiu a mim dividir isso com muitos amigos, me deu muitos amigos e “arrastou” minha família para o “meu mundo”. No Trail Running eu descobri muito sobre mim, inclusive meu real objetivo de vida!
Sou muito grato ao Trail! Soul Trail!

Plauto Holanda

Receber um convite para poder compartilhar sua história dentro da revista que você é fã, pra falar do esporte que hoje é sua maior paixão e com os caras que você mais admira no seu esporte estando nas matérias logo ao lado, para mim não tem igual rs.

PS – Acho que fui um dos primeiros assinantes do Nordeste, fiz a assinatura desde a antiga versão da revista em 2012/13, quando recebíamos ainda uma camisa do Trail Running Club Brasil… Lembra Bonatto? Rsrsrs

Meu nome é Plauto Holanda, pai de duas pérolas Lia e Maya, tenho 36 anos, sou cearense de nascença, da capital Fortaleza e nordestino apaixonado por minha região. Atualmente sou treinador e atleta, e idealizador da equipe Núcleo Outdoor, que tem em seu maior compromisso o de difundir o trail running e o potencial outdoor da região nordeste do Brasil.

Eu fui um típico menino que cresceu em um bairro mais simples e popular aqui da minha cidade, desde cedo o movimento era o meu forte, desde as brincadeiras de correr, subir e descer em casas e árvores ao futebol jogado no meio da rua. Logo fui apresentado a outros esportes, o primeiro como a maioria dos meninos se identifica foi o futebol mas logo também bem cedo conheci a capoeira e o surf, antes ainda dos 10 anos de idade eu já estava muito envolvido e em todos esses busquei levar mais a sério, competi por anos no futebol e no surf (bodyboard) e me graduei na capoeira, e dentro desses todos pude conhecer como é poder levar meu corpo ao limite.

Passado algum tempo através das experiências vividas no surf pude sentir que o contato com a natureza era algo diferente e logo fui buscar mais envolvimento com esportes outdoors e de ação, pois queria sempre experimentar mais os limites e poder conhecer lugares fantásticos. Esse caminho me fez passar desde ultramaratonas de bike, mtb, triátlon, corridas de rua, de aventura até o paraquedismo experimentei, tudo sempre buscando ação, superação e natureza. Um belo dia, depois de uma competição de mtb onde conversava com atletas espanhóis escutei deles sobre o Trail Running, sobre a famosa UTMB, fiquei mega curioso e fui pesquisar como um louco.

Ai vocês imaginam aquela cena de filme em que o cara joga todas as suas coisas de lado e sai correndo atrás de sua paixão…rs Pois bem, foi mais ou menos assim, depois de passar por vários esportes, de ter tido várias vivencias, eu retornei ao mais simples, me voltei pra simplicidade do correr, do ato de apenas calçar um tênis e sair pelas trilhas ou praias (temos muitas belas por aqui) , isso me encantou, o poder escutar mais os sons da natureza, o poder reparar e observar com mais detalhes as plantas, os visuais, poder sentir inclusive os odores , foi simplesmente surreal para mim. Logo eu já estava correndo em diversas trilhas, onde antes eu pedalava.

Outros corredores, da rua, do triatlon ate treinavam esporadicamente pelas trilhas já naquela época (2009/10), mas eu, eu sabia que comigo era algo mais forte, e de fato minha alma se conectava com aquilo de outra forma, não eram apenas treinos eram sensações, eu saia do mundo e me conectava literalmente com aquele meio.

Daí pra frente foi a luta pra me aperfeiçoar, pra ir atrás de novas experiências no trail, mas como seria, já que aqui na minha região mau tinham atletas disso naquela época? Foi um caminho árduo, solitário, mas isso não me impediu de ir atrás das vivências que eu tanto sonhava em diversos lugares do Brasil e do mundo, pude correr grandes provas como Patagonia Run, Endurance Chalenger, La Mision, Machu Pichu Trail, Perdidos, dentre outras, quando poucos mal sabiam desse estilo de corrida pela minha região.

Consegui realizar um grande sonho em meados de 2015, mesmo com grandes limitações financeiras, conseguir ir para a UTMB (corri a TDS na época) me tornando o primeiro atleta do meu estado e um dos primeiros da região nordeste a ter ido e concluído esse evento tão mágico. Com isso consegui trazer muita visibilidade pro esporte aqui.

Eu treinava literalmente sozinho, por meses, anos e anos indo sozinho para as regiões de serras passando horas nas trilhas sem ver ou falar com quase ninguém, repetindo inúmeras vezes as mesmas subidas. Não existiam grupos, assessorias voltadas para o Trail, na verdade a maioria nem conhecia. Foi ai que resolvi divulgar, convidar outros amigos para treinos, falava pra todos e parecia um maluco pregando rs. Procurava as mídias locais, me oferecia pra dar palestras, contava das minhas experiências em outros lugares, das montanhas, do frio extremo…

Fiz um trabalho de jogar várias sementinhas para ver se um dia pegava. Pude colaborar com os primeiros eventos de corridas trail do meu estado, ajudando voluntariamente vários organizadores, tudo no intuito de que um dia eu poderia ver provas e circuitos ocorrendo por aqui. Hoje encho meus olhos de lágrimas quando vejo que aqui não somente no meu estado como em todo o nordeste já existem grupos, eventos e mais atletas surgindo e se envolvendo com o trail.

Hoje mais maduro tento ser ainda aquele cara lá de quase 10 anos atrás, que busca incentivar e motivar todos ao meu redor a experimentarem correr pela natureza, seja em montanha, em praia ou cerrado, no frio ou no calor, pra mim não importa, a paixão está em conectar-se com a natureza, seja ela qual for e de onde for, de norte a sul, pois pra mim de fato o trail running faz parte do meu ser, da minha alma, eu realmente ‘’Soul Trail’’.

Paulo Lamin

Olá a todos, gostaria de agradecer o convite da Revista Trail Running para contar um pouco sobre a minha trajetória nesse esporte que tanto amamos. Meu nome é Paulo Lamin (Paulinho para os amigos), tenho 33 anos, moro na cidade mineira de Passa Quatro e organizo a La Misión Brasil, prova de ultra trail na Serra Fina, que muitos de vocês devem conhecer.

Hoje o trail running se faz presente na minha vida de forma corriqueira, mas nem sempre foi assim. Desde pequeno gostava muito de futebol e o meu sonho, assim como o de muitas crianças da minha idade, era jogar em um grande clube do país, algo que se concretizou. Depois de passar por alguns times como Fluminense e Cruzeiro, resolvi deixar a pelota de lado para focar nos estudos e entrei para o Exército, onde fiquei dos 19 aos 27 anos, até me tornar oficial temporário da arma de Engenharia. Nesse período, integrei a seleção de futebol do Exército (4ª. RM) e participei de olimpíadas militares.

Após a passagem pelas Forças Armadas, retornei para Passa Quatro com o intuito de trabalhar na empresa de contabilidade da minha família, mesma época em que fui convidado a atuar como Secretário de Esportes da cidade. Nesse momento, o trail running entrou na minha vida, pois eventos tradicionais como KTR, UAI e a própria La Misión Brasil estavam chegando a região e passei a ter contato próximo com os organizadores.

Após dois anos e meio, percebi que a contabilidade não era minha verdadeira paixão e passei a refletir sobre que rumos tomar na minha vida, já que a montanha passava a tomar cada vez mais os meus pensamentos. Foi então que, em meados de 2016, surgiu a Tambo, uma empresa que hoje atua nos segmentos de clube de montanha, com a Estância São Bento; hospedagem, com o Lodge e Loft; além do trail running, com a La Misión Brasil.

A La Misión Brasil é derivada de sua prova irmã, na Patagônia argentina, a La Misión, com seus percursos de 110, 160 ou 200 quilômetros e que atualmente está na 15ª edição. O primeiro ano sob minha tutela foi 2017 e o objetivo era reestruturá-la, pois estava em baixa no mercado por conta de alguns problemas ocorridos em anos anteriores. Em 2018 ela se consolidou, caiu na graça das pessoas novamente e, em 2019, promete reunir um número ainda maior de misioneros, como chamamos nossos corredores.

Passa Quatro é uma cidade que tem se tornado referência em esportes de montanha, já que muita gente “descobriu” a Serra Fina nos últimos anos e seu potencial, com diversas cachoeiras e trilhas na Serra da Mantiqueira, além da Pedra da Mina, quarta montanha mais alta do Brasil (2.798m). Apesar de estarmos em uma cidade do interior, não encontro dificuldades para exercer as atividades da Tambo, pois a proximidade com São Paulo (244 km), Rio de Janeiro (267 km) e o fácil acesso a Belo Horizonte me possibilitam buscar profissionais e serviços que eventualmente eu não encontre por aqui.

Por estarmos em uma cidade do interior (436 km de Belo Horizonte e 244 km de São Paulo), muitas vezes temos dificuldade em encontrar mão de obra especializada, mas, ao mesmo tempo, a Serra Fina está no quintal de todos, desde o comerciante, até os representantes do Poder Público. Isso ajuda muito na hora de obtermos autorizações e firmarmos parcerias para os eventos.

A missão da Tambo é gerar uma experiência única aos atletas e consumidores dos produtos e serviços. Quando comecei, em 2017, percebi que precisava fazer a diferença de alguma forma, então passei a responder a cada e-mail, cada mensagem e comentário nas redes sociais pessoalmente e, inclusive, divulguei meu celular pessoal. E até hoje é assim, para estreitar o laço com o nosso público e entender suas necessidades.

A Tambo surgiu no meio da crise, eu resolvi sair da minha zona de conforto em que tinha estabilidade e hoje, passados três anos, estou bastante satisfeito e com vários planos para o futuro. Em 2019 nos associamos à KTR para realizar a etapa da Serra Fina; já recebi convites para organizar eventos em outras regiões do Brasil, como Chapada das Mesas e Jericoacoara e, em breve, pretendo lançar eventos exclusivos Tambo. Além disso, Passa Quatro tem um potencial enorme para o turismo outdoor e pretendo operar com receptivos em pontos turísticos da região.

O trail running ainda é muito novo, se comparado a outros esportes, como a corrida de rua, por exemplo, mas enxergo muito espaço para crescimento nos próximos anos, com a chegada de mais eventos e organizadores, pois possibilitará o aperfeiçoamento do mercado e crescimento da modalidade. Na minha época de Secretário de Esportes, há quatro anos, tínhamos um grupo de 20 corredores de montanha na cidade, enquanto atualmente somos aproximadamente 150.

Eu não poderia terminar esse texto sem explicar o porquê do nome Tambo, já que frequentemente recebo mensagens com esse questionamento. Esse é o nome do Rio Amazonas, na região central do Perú, no trecho entre os Rios Perenê e Urubamba. Além de batizar a minha empresa, esse também é o nome do meu fiel companheiro, um cachorro Akita de 8 meses, que me acompanha desde o bar na esquina de casa até em viagens pelo Brasil.

Esse foi um breve resumo da minha curta, porém intensa história com o trail running. Espero vocês na La Misión Brasil 2019, nos dias 16 a 18 de agosto em Passa Quatro.

Um grande abraço e nos vemos nas trilhas,

 

Paulinho Lamin

[email protected]

www.tamboonline.com.br

Ricardo Tourinho

Uma honra compartilhar um pouco da minha história na Revista Trail Running, da qual fui fundador junto ao Raphael Bonatto quando éramos sócios na TRC Brasil.

Tudo começou com a vontade de proporcionar experiências vividas com a corrida, com a montanha e com as competições. As pretensões lá em 2012, quando comecei a organizar eventos de Corrida de Montanha, eram lúdicas, a fim apenas de levar algumas pessoas para lugares incríveis por meio da corrida. A cada dia que passava, inevitavelmente me via mais contagiado e entusiasmado com o esporte e, com isso, veio a oportunidade de viver de montanha e de trail running.

Sempre procurei me atualizar constantemente sobre regras internacionais e informações de provas consagradas para aplicar nos eventos. Sempre fui um estudioso de características e regras e acredito que isso tenha feito a diferença na hora de aplicar o conceito e, com o passar dos anos, nunca me deixei estagnar na mesmice.

Diferente dos meus filhos, que nasceram neste meio exclusivo, eu sempre fui de vários meios. Quantas aventuras eu não fazia na minha adolescência… A quantidade de esportes que pratiquei e que me desenvolveram diversas habilidades que hoje, certamente, me deram embasamento para criar um mundo próprio, não de teorias, mas de vivências.

A corrida entrou na minha vida com o Atletismo, na equipe do Colégio Santa Maria, aos nove anos de idade. Dediquei-me cerca de quatro anos e abandonei. Fui voltar a correr com 18 anos, quando já migrei para a Orientação, Corrida de Aventura e, por fim, a Corrida de Montanha. Já são quase 11 anos me dedicando quase que exclusivamente a esse propósito.

Hoje posso afirmar que minha missão é proporcionar experiência a novas pessoas e para os atletas já do ramo, com competições de qualidade. Há um conjunto de fatores que precisam ser mantidos e respeitados para que nosso esporte não desmorone. É um conjunto de fatores que move o negócio onde os atletas, assessorias, marcas, mídias, organizadores, comunidades, meio ambiente e, ainda posso citar, o governo, precisam estar se apoiando. Acredito que, somente com esses fatores fortalecidos, teremos um sucesso promissor para este nosso esporte, que é tão maravilhoso e não pode se perder.

Cito ainda como a principal fonte de renovação e continuidade as crianças e adolescentes. Precisamos inserir a juventude neste meio, passar as nossas experiências para a frente, a fim de criar uma geração com conhecimento. Meus filhos estão vivendo comigo essas experiências. Muitas vezes deixo de lado treinos e trabalho para poder inseri-los no meio e passando toda minha experiência. Atleta de corrida muitas vezes é um ser individual, de ego forte, mas como é bom deixar de lado essa característica e pensar no coletivo!

Vamos nos apoiar mais e fazer a coisa com mais comprometimento e profissionalismo, analisar as possibilidade e apostar, nunca deixar de apostar, porque, se construirmos de forma eficaz esta base, o futuro será próspero! Acreditem!

Ricardo Tourinho Beraldi.

Engenheiro Ambiental graduado pela PUC-PR em 2009, diretor técnico da TRC Brasil e membro da ISF Brazil (International Skyrunning Federation) e ABTR (Associação Brasileira de Trail Running)