Trail Running nos lençóis maranhenses

Quando pensamos em trail running, pensamos de imediato em correr junto da natureza, isso por si só já motiva qualquer um a querer estar lá, seja na serra, na montanha, no cerrado ou floresta, no frio, neve ou no calor escaldante. Mas existem lugares que a natureza caprichou quando preparou, fez e jogou a receita fora. São lugares únicos, que não tem outro igual em nenhuma parte do planeja.

Um desse lugares de natureza única são os famosos lençóis maranhenses , uma gigantesca formação de dunas que só pra vocês terem uma ideia é maior que a cidade de São Paulo, a titulo de números, os lençóis tem 1.550 km² e a cidade de São Paulo 1.521km² . Sem falar que dependendo do período do ano a paisagem muda, em épocas de chuvas que vão de janeiro à março formam-se milhares de lagoas entre as dunas, chegando a mais de 36 mil espalhadas por toda aquela imensidão .

Dito isso, esse foi um dos motivos que me levou a correr lá, saber que eu estaria correndo em cima de um lugar único no planeta. Quando soube de um evento de Trail Running que haveria na região de pronto procurei me organizar para ir (pois estava vindo de outro evento totalmente oposto, no Ushuaia) sai do frio extremo com muita neve e em menos de 15 dias estava no sol escaldante e rodeado de dunas. A prova em si não era cheia de pompas nem mega estrutura, tinha o básico necessário. Tiveram quatro distâncias no evento, 10k, 18k, 30k e 55k, eu optei em ir na maior para exatamente vivenciar o máximo possível daquela região fantástica.

Essa prova fazia parte do circuito corridas de montanhas, troféu norte-nordeste que tem várias etapas em locais distintos das duas regiões (achei muito bacana ver que o Trail tá chegando em locais onde antes não existia), além dessa etapa dos lençóis as outras são, Chapada Diamantina, Palmas, Marajó, Serra da Canastra (etapa final) . Isso mostra que nossa modalidade tá adentrando cada vez mais no nosso país , em cidades e regiões onde poucos conhecem mas que tem muita beleza escondida.

Voltando para os lençóis a prova contou com pontos de apoio que tinham em média 7k de distância um do outro, e que contavam com água, isotônico e frutas, os apoios estavam  exatamente nos locais onde foi informado pela organização, e pra dar um toque a mais de pancadaria para os atletas dos 55k a organização nos informou que teria um trecho de aproximadamente 17km sem nenhum apoio e que o local seria 100% de dunas (me senti pela primeira vez andando num deserto) com direito a urubus voando em cima de mim, acho que só esperando alguém dar mole pra terem um lanchinho. Isso deu um toque especial no desafio, pois quem errou na estratégia e levou menos água teve que se socorrer nas lagoas que tinham pelo caminho.

Por fim posso dizer que me surpreendi com o grau de dificuldade dessa prova, subestimei aquelas dunas e achei que seria mais tranqüilo, mesmo sendo acostumado posso dizer que foi uma das provas de praia (e dunas) mais difíceis que já corri. Pra vocês terem uma Idea, 45km dos 55k totais da prova foram literalmente de dunas e areia bem frouxa, até bem próximo da chegada ainda percorríamos estradinhas de areia bem solta.

Pra quem nunca correu em areia de duna (bem fina e solta) se prepare pra duas coisas, 1- sua musculatura vai se desgastar bem mais, e se acelerar vai quebrar  2 – vai entrar muita areia no seu tênis e meias seja ele qual for, e isso vai lixar teus pés formando alguns belos calos (as vezes parar e tirar o excesso é uma boa estratégia). Ah, quase me esqueci de falar de outra coisinha, o calor, que nessa época do ano é maior naquela região, deixando a areia bem mais fina e quente, dando uma sensação de estar em cima de uma panela. O lado bom é que esse período por lá é também de muitos ventos (a turma do kite surf chega em peso por lá) isso ameniza um pouco toda essa sensação de desgaste, ainda mais quando você dá um mergulho nas lagoas pelo caminho (eu particularmente dei vários)

Não sei o que mais motiva vocês no trail running, mas uma das coisas que mais me motiva é poder correr em lugares únicos como os lençóis maranhenses, confesso sem medo que mesmo se não tivesse prova alguma lá eu já tinha planos de fazer a travessia dos lençóis, até mesmo sozinho, só para ter aquela sensação de estar colocando meus pés num lugar tão raro, único e cheio de belezas. Ano que vem quero estar lá novamente, e já soube que a organização pensa em colocar a prova mais para o meio de ano, período pós chuvas onde as lagoas estão ainda mais cheias, e claro bem mais lindas.

A maior prova do Brasil

capa desafio das serras

Por: Plauto Holanda (@plautoholanda)


No final do mês de julho, bem no meio da região serrada do estado da Paraíba, mais precisamente na cidadezinha de Bananeiras, surge a maior prova de trail running já feita aqui no Brasil. Isso mesmo, nunca uma corrida por trilhas aqui no nosso país levou tantos atletas, foram 1.500 de várias partes, sendo em sua maioria da região nordeste.

O desafio das serras é um circuito, este ano composto por quatro etapas. Essa, a de Bananeiras-PB, é a 2° etapa desse grande circuito que roda o Nordeste. Ela tem uma mística muito especial, pois muitos atletas se atraem por ela e vamos descobrir o porquê.

Talvez um dos motivos seja por conta da própria região, que carrega um clima de serra gostoso, um friozinho bacana, que para todo nordestino já é de muito agrado; em torno de 17 graus pela manhã (mas ao meio-dia o calor aperta mais). Outro motivo é o fato de não ser muito longe da capital, João Pessoa, aproximadamente 130 km, facilitando muito o acesso.

A prova contou com 4 distâncias, 6,6 km com 300m D+ , 13 km com 400D+ , 27 km com 930m D+ e 50,5 km com 1.830m D+ . Para trail runners experientes pode parecer pouco, pois a prova permite imprimir ritmos mais rápidos, mas aí que mora o perigo, pois o percurso muda de cenário a todo instante, variando sempre entre estradas e single tracks e, em alguns outros momentos, um trecho mais plano. Outra coisa que pode pegar muitos atletas é o clima, que começa bem ameno no início da manhã, mas no decorrer vai esquentando bastante.

Os locais nos levam desde a estradões estilo tobogã, até trilhas úmidas e fechadas de mata, passando por singles abertos e com visuais fantásticos de lagos e rochas; cruzamos até com uma igrejinha charmosa no alto de uma colina, que era um dos pontos de apoio da prova. Outro ponto bacana é que passamos por diversas localidades de moradores, gente simples, raiz, ali daquela terra, que vive no meio da serra, com a pura alma nordestina.

Todos os pontos de apoio estavam sempre bem abastecidos, com frutas, azeitonas, água, energéticos e refri gelado, e com staffs sempre recebendo bem todos os atletas.

Por fim, para os que correram a prova mais longa vem um grand finale: a 1 km da chegada, os atletas se deparam com uma mega rampa, isso mesmo, uma subida insana, com inclinação surreal e bem longa, numa ruazinha de paralelepípedos que esfria qualquer tentativa de um sprint final de qualquer atleta.

A prova é simples em sua essência, sem grande fama, mas já guarda uma aura de grande evento, uma energia única, que tem atraído sempre mais e mais atletas para o trail running, e o mais fantástico: ela atinge dois grandes pontos, chama a atenção de muitas pessoas novatas para a trilha, agregando novos adeptos para a modalidade, e também atrai excelentes atletas competitivos, revelando assim grandes talentos para o esporte.


Números da prova:

1500 atletas
Ultra = 90 atletas
Half = 370 atletas
Fast = 550 atletas
Light = 490 atletas

Faixa etária predominante 31 a 48 anos

53% Masculino
47% Feminino

83% se hospedaram na região, na cidade e em cidades vizinhas.

Ultra 51km e 1850m D+;
Half 27km e 900m D+;
Fast 13km e 360m D+;
Light 6,6 e 215m D+.