One Hundred – Rio Special Stage Caminho do Ouro

Por: Valmir Lana Jr.


Um fim de semana para se lembrar para sempre!

Assim foi o dia 14 de agosto de 2021! A One Hundred chegou no mercado do Ultra Trail com um projeto audacioso e vem fazendo a diferença no cenário em tudo que se propõe a fazer.

No ano passado pudemos acompanhar de casa o “fantasminha” por 4 semanas seguidas e tivemos um grande evento para poucas pessoas e muito entretenimento, mesmo em momento de pandemia.

Para este ano a empresa deu mais um passo e fez mais um evento para privilegiados 50 atletas na belíssima e histórica cidade de Parati, no Rio de Janeiro.

A prova era de 10km subindo 1.070m e 10km descendo 1.070m com alguns pontos que dão o ar de inovação no nosso cenário, como por exemplo a premiação que chegou a R$ 7.000,00 para os três melhores de cada percurso e ainda uma viagem para a Itália com todos os custos pagos (aéreo, hospedagem, alimentação e mais 100 libras) para a disputa da grande final da One Hundred.

Mas, na minha opinião, o que mais foi inovador foi a transmissão “ao vivo” da competição com uma mega estrutura tecnológica nunca antes vista e que sem dúvidas é um marco, uma virada de página em nosso cenário trail nacional.

Quem pode acompanhar pelo canal One Hundred TV no YouTube pôde acompanhar um show de transmissão com narração, comentarista, entrevista e algumas imagens do percurso. Infelizmente o mal tempo e a chuva impediram que o show fosse ainda maior com muito mais imagens do percurso, como acompanhamento dos atletas em atividade, drones e as parciais de tempo, entretanto o teste foi muito bem sucedido e temos certeza e total confiança que a etapa Brasil do World Series será um novo marco para o nosso cenário.

Profissionalização do esporte, valorização dos atletas, retorno de mídia para os patrocinadores e parceiros, isso são alguns dos ganhos e virtudes da One Hundred para o Brasil e o mundo Trail.


Seguem os resultados

Classificação Geral – Masculino
1° lugar: Rogerio Silvestrin (1h48m22s);
2° lugar: Cleverson Secchi (1h55m14s); e
3° lugar: Genilson Souza (1h56m37s).

Classificação Geral – Feminino
1° lugar: Letícia Saltori (2h09m24s);
2° lugar: Ana Santos (2h26m57s); e
3° lugar: Rosangela Faria (2h34m32s).

King of the Hill – Masculino
1° lugar: Rogerio Silvestrin (1h06m37s);
2° lugar: Douglas Correa (1h07m37s); e
3° lugar: Genilson Souza (1h10m32s).

Queen of the Hill – Feminino
1° lugar: Letícia Saltori (1h19m37s);
2° lugar: Ana Silveira (1h26m23s); e
3° lugar: Rosangela Faria (1h26m49s)

Mountain Goat – Masculino
1° lugar: Rogerio Silvestrin (41m44s);
2° lugar: Cleverson Secchi (44m26s); e
3° lugar: Genilson Souza (46m4s).

Mountain Goat – Feminino
1° lugar: Letícia Saltori (49m46s);
2° lugar: Ana Silveira (1h00m34s); e
3° lugar: Linabel Araújo (1h03m2s).

Classificação por idade – Masculino
18 a 29 anos: Igor Reis;
30 a 39 anos: Renato Campos;
40 a 49 anos: Gleiciomar Santos; e
50 a 59 anos: Valdecir Santos.

Classificação por idade – Feminino
30 a 39 anos: Sabrina Freitas;
40 a 49 anos: Solange Mariano; e
50 a 59 anos: Maria Rodrigues.

A maior prova do Brasil

capa desafio das serras

Por: Plauto Holanda (@plautoholanda)


No final do mês de julho, bem no meio da região serrada do estado da Paraíba, mais precisamente na cidadezinha de Bananeiras, surge a maior prova de trail running já feita aqui no Brasil. Isso mesmo, nunca uma corrida por trilhas aqui no nosso país levou tantos atletas, foram 1.500 de várias partes, sendo em sua maioria da região nordeste.

O desafio das serras é um circuito, este ano composto por quatro etapas. Essa, a de Bananeiras-PB, é a 2° etapa desse grande circuito que roda o Nordeste. Ela tem uma mística muito especial, pois muitos atletas se atraem por ela e vamos descobrir o porquê.

Talvez um dos motivos seja por conta da própria região, que carrega um clima de serra gostoso, um friozinho bacana, que para todo nordestino já é de muito agrado; em torno de 17 graus pela manhã (mas ao meio-dia o calor aperta mais). Outro motivo é o fato de não ser muito longe da capital, João Pessoa, aproximadamente 130 km, facilitando muito o acesso.

A prova contou com 4 distâncias, 6,6 km com 300m D+ , 13 km com 400D+ , 27 km com 930m D+ e 50,5 km com 1.830m D+ . Para trail runners experientes pode parecer pouco, pois a prova permite imprimir ritmos mais rápidos, mas aí que mora o perigo, pois o percurso muda de cenário a todo instante, variando sempre entre estradas e single tracks e, em alguns outros momentos, um trecho mais plano. Outra coisa que pode pegar muitos atletas é o clima, que começa bem ameno no início da manhã, mas no decorrer vai esquentando bastante.

Os locais nos levam desde a estradões estilo tobogã, até trilhas úmidas e fechadas de mata, passando por singles abertos e com visuais fantásticos de lagos e rochas; cruzamos até com uma igrejinha charmosa no alto de uma colina, que era um dos pontos de apoio da prova. Outro ponto bacana é que passamos por diversas localidades de moradores, gente simples, raiz, ali daquela terra, que vive no meio da serra, com a pura alma nordestina.

Todos os pontos de apoio estavam sempre bem abastecidos, com frutas, azeitonas, água, energéticos e refri gelado, e com staffs sempre recebendo bem todos os atletas.

Por fim, para os que correram a prova mais longa vem um grand finale: a 1 km da chegada, os atletas se deparam com uma mega rampa, isso mesmo, uma subida insana, com inclinação surreal e bem longa, numa ruazinha de paralelepípedos que esfria qualquer tentativa de um sprint final de qualquer atleta.

A prova é simples em sua essência, sem grande fama, mas já guarda uma aura de grande evento, uma energia única, que tem atraído sempre mais e mais atletas para o trail running, e o mais fantástico: ela atinge dois grandes pontos, chama a atenção de muitas pessoas novatas para a trilha, agregando novos adeptos para a modalidade, e também atrai excelentes atletas competitivos, revelando assim grandes talentos para o esporte.


Números da prova:

1500 atletas
Ultra = 90 atletas
Half = 370 atletas
Fast = 550 atletas
Light = 490 atletas

Faixa etária predominante 31 a 48 anos

53% Masculino
47% Feminino

83% se hospedaram na região, na cidade e em cidades vizinhas.

Ultra 51km e 1850m D+;
Half 27km e 900m D+;
Fast 13km e 360m D+;
Light 6,6 e 215m D+.

Adeus a Emma Roca

Emma Roca

Emma Roca, pioneira dos esportes de aventura e trilha na Espanha, faleceu hoje, aos 48 anos, vítima de um câncer diagnosticado em 2018. Emma lutou até o fim para vencer a doença, como fez em suas competições, com aquele desejo e atitude positiva que o caracterizava e que admirávamos.

Emma, ​​muito mais do que uma corredora, foi uma pioneira do ponto de vista esportivo e uma pioneira na pesquisa. Formada em bioquímica, doutora em Engenharia Biomédica e atleta de resistência e cofundadora de diversas empresas ligadas ao esporte e à saúde, tem sido uma das pessoas que mais lutou pela saúde desse esporte e por aquele de seus colegas atletas.

“No fim de 2018, fui diagnosticada com líquen escleroso* em meus lábios vulvar por meio de uma biópsia. Fui tratada com cremes corticosteroides até que, no início de 2020, os cremes não faziam nada por mim e tudo o que prescreviam piorava minha pele vulvar, a dor era tão grande que me deixava imóvel na cama por semanas.”

Emma foi uma das mais vitoriosas atletas espanholas de todos os tempos, abaixo alguns de seus resultados:

  • 2ª Trofeo Kima; 2ª Campeonato Espanhol de Trail, Campeã de Leadville 100 miles 2014, Campeã de Penyagolosa, duas vezes 3ª colocada no UTMB.

Somos eternamente gratos. Adeus Emma, ​​descanse em paz

Posso voltar aos treinos normalmente depois que peguei COVID-19?

Covid 19 Posso voltar?

Por: Fernanda Rizzo


A corrida é uma das atividades físicas mais praticadas no Brasil e promove inúmeros benefícios para a saúde. Praticar corrida imerso na natureza, ou seja, correr em trilhas, pode trazer benefícios adicionais, principalmente para a saúde mental.

Quando precisamos interromper os treinos, no caso, por causa do COVID-19, temos que tomar alguns cuidados durante o retorno.

Os sintomas são parecidos com o de uma gripe, além de sintomas respiratórios e em alguns casos, pode acometer múltiplos órgãos, inclusive lesão cardíaca. Os sintomas variam entre as pessoas e mesmo entre atletas, alguns apresentam sintomas mais graves, enquanto outros não apresentam nenhum sintoma.

O destreinamento reduz as capacidades aeróbicas, força muscular e flexibilidade. A combinação desse destreinamento mais os sintomas pós-viral, por exemplo, síndrome da fadiga, podem dificultar o retorno aos treinos e aumentar o risco de desenvolver lesão.

O QUE DEVO FAZER?

Tenha paciência!!

O recomendado é você realizar uma consulta com médico ou cardiologista do esporte para realizar exames específicos, como ecocardiograma, exames de teste cardiopulmonar e exames de sangue.

Retorne aos treinos de forma gradual e respeitando os sintomas de fadiga, observando o tempo de recuperação entre os treinos e conversando com seu treinador!!

Você deve começar pela caminhada e gradativamente aumentar tempo e pace.

A recuperação pode ser lenta e precisar de acompanhamento médico por um período, cerca de 70 dias, segundo documento desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. Este documento possui orientações sobre o retorno às atividades físicas após infecção pelo vírus, sem colocar o coração em risco (http://www.medicinadoesporte.org.br/wp-content/uploads/2020/10/POSICIONAMENTO-SOBRE-APP-POS-COVID.pdf).

Siga as orientações do seu médico e bons treinos!!

Covid 19

Diana Bellon na Boi Preto Ultra

Capa Diana Boi Preto

Por: Diana Bellon


Desde que fiquei sabendo desse “Boi Preto” fiquei instigada em conhecer, pensei:

“será que é tudo isso que o povo fala?”

Então, a convite do meu grande amigo e companheiro de presepada, Silvio, fui. Porém ele desistiu e aí acabei entrando em um outro grupo que já estava indo e pra minha felicidade, era o grupo de um cara que sou “fanzona”, Saulo Arruda!

Fui no intuito de conhecer o percurso, já que o meu amigo havia me abandonado, mas como estava com mais dois amigos capixabas, Luciano Papa léguas e Marcelo Zouaim, resolvi acompanhar o Papa léguas.

Quando chegamos no “Fim do mundo” o sol estava quase nascendo, não resisti e aguardamos o fenômeno mais belo da natureza, não tem como descer sem ver o nascer do sol, é simplesmente fantástico.

Quanto ao percurso, eu, nos meus 6 anos e meio de ultramaratona,

NUNCA FIZ ALGO TÃO DESAFIADOR E DIFÍCIL,

na mesma proporção que você sobe, você desce, porém, o terreno não permite que você desenvolva a corrida pois é muita pedra solta, areia e escalada!

Só tenho a dizer que voltaria de novo AGORA e aconselho a quem quiser fazer o percurso completo se prepare, não só fisicamente mas também psicologicamente porque o “trem” é duro!

Depois desses 85km me considero uma verdadeira ultramaratonista de montanha!
Desafie-se vai lá conhecer o “Boi Preto” e depois conta pra gente!


Diana finalizou a Boi Preto Ultra FKT em 17h 10min, se tornando a segunda mulher mais rápida e é a nova detentora do FKT Dupla Mista solo “com apoio”, juntamente com seu parceiro Luciano Papa-Leguas.

Yoga e Esporte: quando mente e corpo se encontram.

Capa Yoga

Muito prazer, meu nome é Maira. Quero antes contar da minha alegria por poder estar aqui, falando com você sobre Yoga e Esporte. Sou professora desde de 2016 e em 2017 fui apresentada, ao acaso, à corrida de montanha. E desde então, yoga, corrida e trilha nunca mais saíram da minha vida. Por isso, o que me proponho a trazer são textos que aproximem esses dois universos de práticas distintas a partir das experiências que eu vivencio, sejam no Yoga, sejam nas corridas de montanha. Espero que faça sentido pra você e que possamos usar este espaço para trocar nossas experiências.

Quando falamos em Yoga, muitas pessoas automaticamente o associam ou a fotos de pessoas demonstrando sua flexibilidade ou de pessoas sentadas, meditando. E o fruto dessa associação é, já de saída, um impedimento seja porque nos julgamos inflexíveis, seja porque cientes da nossa agitação, nos julgamos incapazes de aquietarmos nosso corpo e nossa mente. E quando associamos o Yoga às práticas esportivas parece que a dissociação é ainda maior.

Yoga é uma prática milenar que se dedica à busca do auto-conhecimento. E todos nós, atletas amadores ou profissionais sabemos o quão importante é o auto-estudo para que sejamos capazes de desenvolver percepções mais claras acerca de nossas deficiências, nossos medos, nossas potencialidades. Se conhecer é a condição primordial para que sejamos capazes de construir nossa segurança e utilizar nossos treinos para sermos, cada vez mais, melhores dentro daquele esporte que escolhemos.

Embora os elementos da competitividade, da vitória, da derrota e da superação de limites estejam sempre presentes nas modalidades esportivas, se eles não forem bem compreendidos e utilizados para o nosso auto-aprendizado, acabam se tornando um obstáculo ao nosso desempenho.

E é exatamente nesse processo que o Yoga se torna uma ferramenta essencial para nós, praticantes de alguma modalidade esportiva, de alto rendimento ou não. A partir das posturas físicas (asanas) somos capazes de reduzir padrões repetitivos de movimentos e exercitar a concentração na ação que estamos desempenhando (dharana). Estarmos presentes e conscientes nos movimentos que realizamos é fundamental para que consigamos não só aperfeiçoar os movimentos do nosso corpo, como também pouparmos energia. Os pranayamas, que vulgarmente traduzimos por ‘exercícios respiratórios’, nos traz muito mais do que a expansão da nossa capacidade respiratória. Por estar diretamente vinculado aos movimentos de nossa mente (vrittis), a respiração, quando trabalhada de maneira consciente, atua como ferramenta fazendo nossa mente trabalhar a nosso favor. Isso é fundamental no esporte, já que invariavelmente nos vemos imersos em situações de pressão, medo, fadiga física e mental. Por fim, a prática da meditação nos ensina como manter a mente equilibrada apesar de todos esses desafios que o esporte nos impõe e que extrapolam o limite exclusivo da força física.

Por isso que o Yoga pode, e deve, estar muito mais próximo do esporte. Sendo uma jornada ao auto-conhecimento, a prática do Yoga nos ajuda a entender quais são, de fato, nossos limites, mas também nossas potências. E cientes de que somos capazes de controlar apenas nossas ações, e não os resultados gerados por elas, nos tornamos mais leves e mais satisfeitos com aquilo que verdadeiramente somos.

Por se tratar de uma prática ampla, o Yoga pode ser apreendido por diversas linhas de abordagens e metodologias, mas é importante lembrar que sem a experiência prática, nenhum conhecimento pode ser apreendido. Por isso, os textos que você encontrará aqui tratarão de aproximar essa prática milenar do universo específico do trailrun a partir de paralelos que podem e devem ser vividos na prática por nós, dentro e fora da corrida, dentro e fora da montanha.

Sergio Pereyra vence a Patagonia Run Columbia Montrail 100 milhas

Pat Run

Com estritos protocolos sanitários, foi realizada em San Martín de los Andes uma nova edição do Patagonia Run Columbia Montrail onde o nascido em Junín de los Andes, Sergio Pereyra, foi coroado nas 100km com um tempo de: 21hs 30 min 25seg.

O pódio foi completado com Luciano Pilatti com 21h 58 min 18 seg, em terceiro lugar Gabriel Santos Rueda com 22h 08 min 42 seg e o quarto colocado foi para Facundo Romera com o tempo de 22h 23 min 14 seg.

As 100mi feminino foram para Adriana Vargas com 26h 26 min 25 seg, em segundo lugar, Tania Diaz Slater 26h 30min 27seg, Veronica Ramirez em terceiro lugar 26hs 55min 23seg e Sofia Cantilo com 29hs 40 min 18seg.

Em relação aos 110k, foi Jesus Agüero quem liderou, em segundo lugar, Miguel Lottero e Nicolas Alfageme completam o pódio. Os 110k femininos ficaram com Eliana Marinero, a segunda colocada foi Martina Demateo e a terceira de Elisa Maria García.

Os 70k masculinos foram para Ricardo Manzur, Ramiro Torres e Marcos Suhit, enquanto a categoria feminina Emilia Moreno, Ma de los Angeles Oyarbide Corvalan e Alejandra Pennissi.

A premiação dos 42k masculino ficou assim: o primeiro lugar para Hugo Rodriguez, o segundo lugar para Joaquin Narvaez e o terceiro lugar para Diego Simon, enquanto o pódio feminino Roxana Flores foi a campeã, seguida de Yennifer Castro e Ruth Onate.

Para ver a classificação completa, acesse: https://www.patagoniarun.com/es/resultados/resultados-2021

A competição faz parte do Spartan Trail World Championship é “CROWN LABEL” e seu prêmio em dinheiro totaliza US $ 25.000 para as categorias Elite (100Mi e 42k).

A cidade de San Martín de los Andes se vestiu como uma anfitriã para receber competidores que vivenciaram adrenalina, aventura e paisagens de tirar o fôlego. No marco da pandemia, Patagonia Run Columbia Montrail se realizou e aprovou protocolos sanitários rigorosos na província de Neuquén para cuidar dos corredores que vinham desfrutar de cada percurso do National Park Lanín.