Em meados de maço de 2020, a Itra – a International Trail Running Association anunciou o congelamento de sua classificação pelo índice de performance, desconsiderando temporariamente a pontuação que os atletas haviam obtido nas provas de 2020 e afirmando, ainda, que só passaria a considerar, a partir de janeiro de 2021, as demais provas disputadas em 2020. E assim foi feito!

Dessa forma, com a passagem do ano, a instituição voltou a atualizar o índice de performance dos atletas, considerando as provas de 2020 e, dessa forma, houve alterações no ranking geral, que considera uma média dos cinco melhores resultados dos últimos três anos.

Com a falta de provas, a tendência foi de queda na pontuação da maioria dos atletas. No entanto, aqueles que conseguiram competir e obter bons resultados, conquistaram mais pontos e melhoraram sua posição no ranking.

No masculino, a tradicional disputa pela liderança entre Kilian Jornet e Jim Walmsley ganhou um novo episódio. Jim teve uma ligeira perda em relação a 2020, quando tinha 951 pontos, mas sua vitória nos 50 km da Pemberton Trail deu a ele pontos suficientes para se posicionar como o atleta de maior valor no mundo. Walmsley destruiu o recorde da prova, que pertencia a Paul DeWitt, com 3:11:55 e baixou o tempo em 23 minutos (2:49:03), conquistando uma excelente pontuação Itra e agora com 949 ponto, na liderança, apenas seis pontos à frente de Kilian, que não acrescentou nenhum resultado novo aos cinco feitos nos últimos três anos.

O polonês Bartlomiej Przedwojewski, com sua vitória na Golden Trail Series em dezembro, conseguiu aumentar quatro pontos, mesmo durante a pandemia, subindo de 928 para 932 e assumindo a terceira colocação. Único africano no ranking, Petro Mamu, da Eritreia, que estava em terceiro, caiu para a quarta colocação, com 925 pontos. Hayden Hawks fecha o top five do ranking, com 923 pontos, depois de uma bela vitória na JFK 50 mile, ultramaratona mais antiga dos EUA.

No ranking feminino, a suíça Maude Mathys mantém sua grande evolução e lidera, com 815 pontos, aumentando em sete pontos seu índice, com brilhantes resultados em 2020, as vitórias na Golden Trail Championship e na Sierre-Zinal, esta última realizada de maneira não tradicional, ao longo de um mês inteiro.

Em segundo lugar vem a sua rival, a sueca Tove Alexanderson, com quem travou uma bela disputa na Golden Trail Championship. Um ano atrás, Tove não estava nem no top 20, mas teve uma surpreendente evolução, brilhando nos 43 km do Fjällmaraton e na Skyrace des Matheysins. Uma das maiores ultramaratonistas da história, Courtney Dauwalter ocupa a terceira colocação, com 799 pontos. Ruth Croft (793 pts) e Blandine L’Hirondel (792 pts) completam o top five, que segue até o top 10 com pequena diferença entre as atletas. Para se ter noção, a diferença de Blandine para a 10ª colocada, Katie Schide (781 pts) é de apenas 11 pontos.