Paulo Lamin

Olá a todos, gostaria de agradecer o convite da Revista Trail Running para contar um pouco sobre a minha trajetória nesse esporte que tanto amamos. Meu nome é Paulo Lamin (Paulinho para os amigos), tenho 33 anos, moro na cidade mineira de Passa Quatro e organizo a La Misión Brasil, prova de ultra trail na Serra Fina, que muitos de vocês devem conhecer.

Hoje o trail running se faz presente na minha vida de forma corriqueira, mas nem sempre foi assim. Desde pequeno gostava muito de futebol e o meu sonho, assim como o de muitas crianças da minha idade, era jogar em um grande clube do país, algo que se concretizou. Depois de passar por alguns times como Fluminense e Cruzeiro, resolvi deixar a pelota de lado para focar nos estudos e entrei para o Exército, onde fiquei dos 19 aos 27 anos, até me tornar oficial temporário da arma de Engenharia. Nesse período, integrei a seleção de futebol do Exército (4ª. RM) e participei de olimpíadas militares.

Após a passagem pelas Forças Armadas, retornei para Passa Quatro com o intuito de trabalhar na empresa de contabilidade da minha família, mesma época em que fui convidado a atuar como Secretário de Esportes da cidade. Nesse momento, o trail running entrou na minha vida, pois eventos tradicionais como KTR, UAI e a própria La Misión Brasil estavam chegando a região e passei a ter contato próximo com os organizadores.

Após dois anos e meio, percebi que a contabilidade não era minha verdadeira paixão e passei a refletir sobre que rumos tomar na minha vida, já que a montanha passava a tomar cada vez mais os meus pensamentos. Foi então que, em meados de 2016, surgiu a Tambo, uma empresa que hoje atua nos segmentos de clube de montanha, com a Estância São Bento; hospedagem, com o Lodge e Loft; além do trail running, com a La Misión Brasil.

A La Misión Brasil é derivada de sua prova irmã, na Patagônia argentina, a La Misión, com seus percursos de 110, 160 ou 200 quilômetros e que atualmente está na 15ª edição. O primeiro ano sob minha tutela foi 2017 e o objetivo era reestruturá-la, pois estava em baixa no mercado por conta de alguns problemas ocorridos em anos anteriores. Em 2018 ela se consolidou, caiu na graça das pessoas novamente e, em 2019, promete reunir um número ainda maior de misioneros, como chamamos nossos corredores.

Passa Quatro é uma cidade que tem se tornado referência em esportes de montanha, já que muita gente “descobriu” a Serra Fina nos últimos anos e seu potencial, com diversas cachoeiras e trilhas na Serra da Mantiqueira, além da Pedra da Mina, quarta montanha mais alta do Brasil (2.798m). Apesar de estarmos em uma cidade do interior, não encontro dificuldades para exercer as atividades da Tambo, pois a proximidade com São Paulo (244 km), Rio de Janeiro (267 km) e o fácil acesso a Belo Horizonte me possibilitam buscar profissionais e serviços que eventualmente eu não encontre por aqui.

Por estarmos em uma cidade do interior (436 km de Belo Horizonte e 244 km de São Paulo), muitas vezes temos dificuldade em encontrar mão de obra especializada, mas, ao mesmo tempo, a Serra Fina está no quintal de todos, desde o comerciante, até os representantes do Poder Público. Isso ajuda muito na hora de obtermos autorizações e firmarmos parcerias para os eventos.

A missão da Tambo é gerar uma experiência única aos atletas e consumidores dos produtos e serviços. Quando comecei, em 2017, percebi que precisava fazer a diferença de alguma forma, então passei a responder a cada e-mail, cada mensagem e comentário nas redes sociais pessoalmente e, inclusive, divulguei meu celular pessoal. E até hoje é assim, para estreitar o laço com o nosso público e entender suas necessidades.

A Tambo surgiu no meio da crise, eu resolvi sair da minha zona de conforto em que tinha estabilidade e hoje, passados três anos, estou bastante satisfeito e com vários planos para o futuro. Em 2019 nos associamos à KTR para realizar a etapa da Serra Fina; já recebi convites para organizar eventos em outras regiões do Brasil, como Chapada das Mesas e Jericoacoara e, em breve, pretendo lançar eventos exclusivos Tambo. Além disso, Passa Quatro tem um potencial enorme para o turismo outdoor e pretendo operar com receptivos em pontos turísticos da região.

O trail running ainda é muito novo, se comparado a outros esportes, como a corrida de rua, por exemplo, mas enxergo muito espaço para crescimento nos próximos anos, com a chegada de mais eventos e organizadores, pois possibilitará o aperfeiçoamento do mercado e crescimento da modalidade. Na minha época de Secretário de Esportes, há quatro anos, tínhamos um grupo de 20 corredores de montanha na cidade, enquanto atualmente somos aproximadamente 150.

Eu não poderia terminar esse texto sem explicar o porquê do nome Tambo, já que frequentemente recebo mensagens com esse questionamento. Esse é o nome do Rio Amazonas, na região central do Perú, no trecho entre os Rios Perenê e Urubamba. Além de batizar a minha empresa, esse também é o nome do meu fiel companheiro, um cachorro Akita de 8 meses, que me acompanha desde o bar na esquina de casa até em viagens pelo Brasil.

Esse foi um breve resumo da minha curta, porém intensa história com o trail running. Espero vocês na La Misión Brasil 2019, nos dias 16 a 18 de agosto em Passa Quatro.

Um grande abraço e nos vemos nas trilhas,

 

Paulinho Lamin

[email protected]

www.tamboonline.com.br

Ricardo Tourinho

Uma honra compartilhar um pouco da minha história na Revista Trail Running, da qual fui fundador junto ao Raphael Bonatto quando éramos sócios na TRC Brasil.

Tudo começou com a vontade de proporcionar experiências vividas com a corrida, com a montanha e com as competições. As pretensões lá em 2012, quando comecei a organizar eventos de Corrida de Montanha, eram lúdicas, a fim apenas de levar algumas pessoas para lugares incríveis por meio da corrida. A cada dia que passava, inevitavelmente me via mais contagiado e entusiasmado com o esporte e, com isso, veio a oportunidade de viver de montanha e de trail running.

Sempre procurei me atualizar constantemente sobre regras internacionais e informações de provas consagradas para aplicar nos eventos. Sempre fui um estudioso de características e regras e acredito que isso tenha feito a diferença na hora de aplicar o conceito e, com o passar dos anos, nunca me deixei estagnar na mesmice.

Diferente dos meus filhos, que nasceram neste meio exclusivo, eu sempre fui de vários meios. Quantas aventuras eu não fazia na minha adolescência… A quantidade de esportes que pratiquei e que me desenvolveram diversas habilidades que hoje, certamente, me deram embasamento para criar um mundo próprio, não de teorias, mas de vivências.

A corrida entrou na minha vida com o Atletismo, na equipe do Colégio Santa Maria, aos nove anos de idade. Dediquei-me cerca de quatro anos e abandonei. Fui voltar a correr com 18 anos, quando já migrei para a Orientação, Corrida de Aventura e, por fim, a Corrida de Montanha. Já são quase 11 anos me dedicando quase que exclusivamente a esse propósito.

Hoje posso afirmar que minha missão é proporcionar experiência a novas pessoas e para os atletas já do ramo, com competições de qualidade. Há um conjunto de fatores que precisam ser mantidos e respeitados para que nosso esporte não desmorone. É um conjunto de fatores que move o negócio onde os atletas, assessorias, marcas, mídias, organizadores, comunidades, meio ambiente e, ainda posso citar, o governo, precisam estar se apoiando. Acredito que, somente com esses fatores fortalecidos, teremos um sucesso promissor para este nosso esporte, que é tão maravilhoso e não pode se perder.

Cito ainda como a principal fonte de renovação e continuidade as crianças e adolescentes. Precisamos inserir a juventude neste meio, passar as nossas experiências para a frente, a fim de criar uma geração com conhecimento. Meus filhos estão vivendo comigo essas experiências. Muitas vezes deixo de lado treinos e trabalho para poder inseri-los no meio e passando toda minha experiência. Atleta de corrida muitas vezes é um ser individual, de ego forte, mas como é bom deixar de lado essa característica e pensar no coletivo!

Vamos nos apoiar mais e fazer a coisa com mais comprometimento e profissionalismo, analisar as possibilidade e apostar, nunca deixar de apostar, porque, se construirmos de forma eficaz esta base, o futuro será próspero! Acreditem!

Ricardo Tourinho Beraldi.

Engenheiro Ambiental graduado pela PUC-PR em 2009, diretor técnico da TRC Brasil e membro da ISF Brazil (International Skyrunning Federation) e ABTR (Associação Brasileira de Trail Running)