Marco Olmo é uma das maiores, senão a maior lenda do trail running em todo o mundo. O italiano, que completa 73 anos em 2021 e que já foi fazendeiro, motorista de caminhão e trabalhou em uma fábrica de cimento, começou a competir tarde em ultra distâncias, depois dos 40 anos e, mesmo assim, se destacou e venceu algumas das maiores e mais famosas provas de ultra trail do mundo,  inclusive por ter vencido as 100 milhas da UTMB duas vezes em 2006 e 2007, com 58 anos e 59 anos de idade, além de sempre figurar nas cabeças da Marathon des Sables, sendo conhecido como “O homem do deserto”.

Confira um pouco do currículo dessa lenda viva:

1996:

  • Marathon des Sables (Marrocos) 3º

1997:

  • Marathon des Sables (Marrocos) 3º

1998:

  • Maratona do Deserto (Líbia) 1º
  • Marathon des Sables (Marrocos) 4º

1999:

  • Maratona do Deserto (Líbia) 1º
  • Marathon des Sables (Marrocos) 3º
  • Trilha de Verdon (França) 1º

2000:

  • Maratona do Deserto (Líbia) 1º
  • Marathon des Sables (Marrocos) 7º
  • Trilha de Verdon (França) 3aº
  • Copa do Deserto (Jordânia) 1º

2001:

  • Copa do Deserto (Jordânia) 1º
  • Gran Raid du Cro-Magnon (Itália – França) 1º

2002:

  • Copa do Deserto (Jordânia) 1º
  • Gran Raid du Cro-Magnon (Itália – França) 1º
  • Marathon des Sables (Marrocos) 4hº2003:
  • Copa do Deserto (Jordânia) 1º
  • Marathon des Sables (Marrocos) 6º
  • Gran Raid du Cro-Magnon (Itália – França) 1º

2004:

  • Gran Raid du Cro-Magnon (Itália – França) 1º
  • Marathon des Sables (Marrocos) 7º

2005:

  • Gran Raid du Cro-Magnon (Itália – França) 1º
  • Ultra Trail du Mont Blanc (França), 3º
  • Marathon des Sables (Marrocos) 8º

2006:

  • Ultra Trail du Mont Blanc (França) 1º
  • Marathon des Sables (Marrocos) 11º
  • Gran Raid du Cro-Magnon (França) 1º

2007:

  • Gran Trail Valdigne (Itália) 1º
  • Ultra Trail du Mont Blanc (França) 1º
  • Via Marenca (Itália) 1º
  • Le Porte di Pietra (Itália) 1º
  • Maratona de Chaberton (França – Itália) 1º
  • Winter Eco Trail (Itália) 3º
  • Marathon des Sables ( Marrocos ) 11º

2008:

  • Le Porte Di Pietra (Itália) 3º
  • Oman Raid (Omã) 1º
  • Gran Trail Rensen (Itália) 3º
  • Transgrancanaria (Espanha) 1º
  • Marathon des Sables (Marrocos) 9º

2009:

  • Transvulcania (Espanha) 3º
  • Racing The Planet (Namíbia) 3º
  • Marathon des Sables (Marrocos) 12º

2010:

  • Grande Raid del Sahara (Mali) 2º
  • Transvulcania (Espanha) 10º
  • Marathon des Sables (Marrocos) 13º
  • Runiceland (Islândia) 1º

2011:

  • Marathon des Sables (Marrocos) 12º
  • Runiceland (Islândia) 2º
  • Oman Raid (Omã) 2º
  • Trilha da Montanha Magredi (Itália) 3º

2012

  • Marathon des Sables (Marrocos), 14º

2013

  • Marathon des Sables (Marrocos), 14º

2014

  • Maratona do Saara (Argélia) 3º
  • 100 km del Caribe (Republica Dominicana) 3º
  • Marathon des Sables (Marrocos) 23º

2015

  • Marathon des Sables (Marrocos), 14º

2016

  • Ultra Bolivia Race (Bolívia) 1°

2017

  • Ultra Africa Race (Moçambique) 1°

É muito comum vermos alguns dos melhores corredores de trail running do mundo praticando o ciclismo de estrada e o mountain bike paralelamente ao seu treinamento de corrida. Outros deles, principalmente os europeus, utilizam o ski e até outras atividades extras para complementar seu treinamento.

A essa prática, damos o nome de treinamento cruzado. É basicamente qualquer atividade esportiva que realizamos paralelamente à nossa modalidade principal e que tem, como finalidade, precisamente, ajudar-nos a melhorar o nosso rendimento.

Além das vantagens físicas, os treinos cruzados também podem ajudar na preparação psicológica dos atletas, que saem um pouco da rotina, variando as atividades.

Uma das principais referências em treinamento esportivo do Brasil, principalmente no trail running, o professor Guilherme de Agostini, que é Mestre em Fisiologia, Doutor em Bioquímica e foi técnico da seleção brasileira nos mundiais de trail running de 2017 e 2019, recentemente falou, em seu instagram, sobre a importância do treinamento cruzado, especificamente sobre o ciclismo e principalmente o Mountain Bike, para os atletas de trail.

O professor explica que cada indivíduo tem apenas um coração, portanto, qualquer atividade aeróbias extra, fora da modalidade principal do atleta, como natação, ciclismo, remo, elas treinam o coração. “Apesar de não serem atividades semelhantes, elas aumentam o retorno venoso, mantêm o coração trabalhando mais por um tempo x e, consequentemente, elas geram benefícios, que são treinar o coração e aumentar o débito cardíaco máximo via aumento da cavidade do ventrículo esquerdo, volume diastólico final e, consequentemente, volume sistólico, ou seja, maior aporte e entrega de oxigênio para o músculo”, declara.

Guilherme destaca que se trata de treino concorrente, em que a pessoa vai treinar ciclismo, porém, vai continuar treinando corrida. Com isso, o corredor vai aumentar as horas de treino durante a semana, ou seja, o volume de treinamento, sem ser na corrida. Ele também destaca como ponto importante a questão do desgaste muscular, uma vez que correr provoca, no momento em que o pé está em contato com o solo, na fase de propulsão, uma “flexão plantar do tornozelo, sóleos e gastrocnêmio; extensão dos joelhos, principalmente pelos vastos lateral e medial; e uma extensão do quadril, principalmente pelos glúteos” e a musculatura treinada é a mesma no ciclismo, apesar das devidas diferenças no ciclo do movimento.

Um terceiro ponto de grande importância que o professor destaca é a “velocidade com que o terreno passa por nós”. Isso porque, no trail running, um aspecto crucial no desempenho do atleta é a dupla tarefa, que é também um dos grandes limitadores, principalmente no downhill. “A dupla tarefa nada mais é que uma tarefa física (correr) somada a uma cognitiva (pensar onde eu vou colocar o pé ao correr). Num downhill de MTB nós temos que ter uma velocidade de escolha extremamente rápida e, como descemos muito mais rápido no MTB do que no trail, o chão passa mais rápido e, logicamente, vamos melhorando essa qualidade de diminuir a dupla tarefa”.

Para finalizar, Guilherme fala sobre mais uma vantagem. “Todo mundo sabe que, quanto mais corremos, mais batemos o pé no chão e, com isso, mais geramos impacto. Conforme for esse impacto, gera lesão, que, junto com o fator doença, é o fator principal que diminui a performanece desejada pelo atleta. O ciclismo não gera impacto, então, podemos aumentar a quantidade de horas treinadas por semana, sem aumentar a carga ósseo-tendinosa, conseguindo melhorar o preparo físico global do atleta com risco baixo de lesão”, declara.

Além de complementar o treinamento com aumento de volume e baixo impacto, o ciclismo também é uma excelente opção para treinos regenerativos.

Um dos grandes talentos do trail mundial, especialmente nas provas de Skyrunning e quilômetros verticais, o suíço Remi Bonnet, é um exemplo dos adeptos ao ciclismo. Veja o que ele declarou em suas redes sociais sobre os treinos paralelos de ciclismo.

“A bike tem um lugar importante na minha preparação para a temporada de trail running. Permite-me trabalhar a minha resistência e também ganhar força, o que me ajuda muito para correr subidas em terrenos muito íngremes. E, claro, também me permite descobrir lugares que não necessariamente vejo quando corro.”

O atleta, inclusive, faz treinamento de bike indoor, quando não consegue pedalar na estrada. Veja nas fotos abaixo:

Outro grande exemplo é o multicampeão Pau Capell, que também utiliza o ciclismo para complementar seus treinos:

No Brasil, também temos inúmeros exemplos. Entre elas, o grande campeão Ernani Souza, que veio do Mountain Bike, já disputou mundiais de MTB, Duatlhon e Trail representando o Brasil e tem no ciclismo um grande complemento ao seu treinamento:

Foto: arquivo pessoal

Confira o vídeo completo do professor Guilherme pelo link: https://www.instagram.com/tv/CJPZLMkD0Pv/

Com a unificação dos mundiais de trail running e corrida de montanha em apenas um evento, que está marcado para novembro deste ano que que já foi assunto de reportagem da Revista Trail Running, voltaram à tona as discussões sobre a diferenciação entre corrida de trilha e corrida de montanha, já que o mundial terá provas das duas modalidades.

A recé-fundada Associação Brasileira de Corrida em Trilha (ABCT) publicou um conteúdo explicando as diferenças e as características de cada modalidade.

Características da Corrida em Trilha

De acordo com a ABCT, Trail, que significa trilha em inglês, é uma competição pedestre aberta a todos, em ambiente natural, com no máximo 20% do total dos caminhos pavimentados ou calçados. A extensão dos percursos pode varias de curtas distâncias, chegando a provas de ultramaratona com mais de 300 km, por terrenos dos mais variáveis, como florestas, montanhas, bosques, praias, campos, desertos, entre outros, muitas vezes incluindo grandes ganhos e perdas de elevação, o que caracteriza o conceito de altimetria.

Confira, abaixo, alguns destaques do World Trail Running Championships 2019

Características da Corrida em Montanha

São corridas que ocorrem em ambientes off-road, assim como o trail running. Em princípio, são duas formas básicas de corrida em montanha: uphill e uphill & downhill (misto de subidas e descidas). Quando é apenas uphill, a corrida é ponto a ponto (largada em um local e chegada em outro); quando é uphill & downhill, a corrida pode ser ponto a ponto, ter percurso com volta, ou até mesmo bate-volta. Como no trail, menos de 20% do trajeto pode ser em estrada calçada ou asfaltada e o ponto mais alto não pode ultrapassar 3000m de altitude. O percurso deve ser o máximo corrível, não possuindo trechos perigosos nas subidas, nem nas descidas e, quando não puderem ser evitados, precisam ser muito bem demarcados e controlados, assim como todo o percurso. Outra diferença para o trail, é que a inclinação média não pode ultrapassar 20% a cada 500m de percurso, ou seja, não pode ter mais de 100m de ganho de elevação a cada 500m. As competições oficiais têm distâncias de até 42 km e os atletas recebem hidratação ao longo do percurso.

Outra diferença da montanha pro trail é a permissão de equipamentos. Na corrida de montanha é permitido utilizar tênis, short, bermuda ou calça de compressão, camiseta, corta-vento, bonés ou viseira, bandana e relógio GPS. Não é permitido o uso de trekking poles (bastões) e mochila de hidratação.

Confira, abaixo, os destaque da Copa do Mundo de Corrida de Montanha de 2019

Órgãos reguladores do trail e montanha: O órgão regulador é o World Athletics; o ente gestor das corridas de montanha é a WMRA – World Mountain Running Association e das corridas em trilha é a ITRA (International Trail Running Association); o órgão regulador nacional é a CBAt – Confederação Brasileira de Atletismo, com as federações estaduais como reguladoras em nível de estado.

Em 2009, Cristofer Clemente tinha 23 anos, 1,69m e 90 kg quando foi ao médico e entregou um exame que assustou o profissional. Com o colesterol altíssimo, foi-lhe receitado um medicamento de uso contínuo. Quando saiu do consultório, em vez de ir à farmácia, resolveu se curar de outra forma. Decidiu, então, emagrecer e encontrou na corrida a maneira de fazer isso de forma saudável.

O atleta de La Gomera, Ilhas Canárias, não só emagreceu, como se tornou um dos principais nomes do trail running do planeta, tornando-se vice-campeão da Skyrunner World Series e Campeão da Skyrunner National Series em 2015 e vice-campeão mundial de trail em 2018, com 57,5 kg. Ele é companheiro de equipe de Kilian Jornet e outras estrelas na Salomon. No canal da marca, no YouTube, foi publicado o documentário “Otro Cristofer”, contando sua história. Assista, clicando aqui!

 

 

O Conselho de Mountain Ultra Trail (MUT) da USA Track & Field anunciou as cinco provas que irão integrar o National Championships 2021, com uma premiação de $ 26.800 dólares em dinheiro, além de medalhas para os 10 primeiros colocados e os três primeiros em cada faixa etária master, acima dos 40 anos.

A entidade ainda estuda a inclusão de outras etapas, mas, por enquanto, são as seguintes provas que integram o campeonato:

Os atletas que participam de campeonatos nacionais e competições dos EUA estão sujeitos a testes anti-doping realizados pela Agência Antidopagem dos EUA (USADA) de acordo com o Protocolo para Testes de Movimento Olímpico e Paraolímpico.

Foto: Joe Viger Photography

Como funcionam as modalidades de corridas off road nos EUA? Segue a explicação da USATF MUT:

Montanha : O campeonato anual de corrida de montanha da USATF é um evento de 10 a 12 km alternado em subida (anos pares) e subida / descida (anos ímpares) organizado de acordo com a Regra 253 da USATF . Mulheres e homens correm a mesma distância e uma largada separada é preferível. Os organizadores projetam o perfil e a distância do percurso que espelham de perto a corrida de montanha no World Mountain & Trail Running Championships . Bastões não são permitidos.

Ultra Road : são campeonatos com mais de 26,2 milhas (42 km) realizados principalmente em estradas ou pistas. Partes do percurso também podem ser em caminhos pavimentados fechados ao tráfego de veículos ou estradas de terra. Os eventos seguem a Regra 240 da USATF (Corridas de Rua) com algumas exceções para 252.8 (Estações de abastecimento). Campeonatos que também são eventos de rótulo da IAU podem estar sujeitos a certas regras da IAU que podem diferir das regras da USATF. Consulte o diretor da prova para determinar quais regras serão aplicadas.

Ultra Trail : São campeonatos com mais de 26,2 milhas, realizados principalmente fora de estrada, onde a maior parte do percurso é fechada ao tráfego de veículos. Os eventos geralmente seguem a Regra 254 da USATF . Apoio em postos de socorro é permitido. Bastões podem ser permitidos.

Trail (Sub-Ultra) : São campeonatos de 26,2 milhas ou menos realizados principalmente fora de estrada e onde a maior parte do percurso é fechada ao tráfego de veículos. Os eventos geralmente seguem a Regra 254 da USATF . Bastões podem ser permitidos.

Com informações da American Trail Running Association 

Ortles, Stelvio Pass e Presanella três percursos icônicos na Itália eram os objetivos em mente para o italiano Davide Magnini alcançar o recorde na temporada de verão de 2020. Num ano de pandemia, sem corridas em trail running, o jovem decide continuar a treinar com a intenção de bater os tempos mais rápidos que se conhece nos três icônicos percursos italianos que sempre lhe inspiraram desde a infância.

Foto: Saragossa

No primeiro episódio, disponível no canal da Salomon TV no Youtube, o forte atleta do Centro Esportivo do Exército, patrocinado pelo Salomon, foi atrapalhado pelo vento de grande altitude e as temperaturas baixas, que, por pouco mais de um minuto, o impediram de bater um recorde histórico da ascensão mítica da estância de Bormio leva até ao Passo Stelvio . O tempo recorde de Cles Giuliano Battocletti (1h31’21 “), datado de 2005, está mantido.

O percurso é uma meia maratona de ascensão única, com 34 curvas fechadas, bem semelhante à Serra do Rio do Rastro, no Brasil. A largada é a 1225m e termina aos 2758m de altitude, ou seja, são duros 1533m de ganho de elevação.

“Durante três quartos da subida escalei muito bem, depois o frio tomou conta do meu estômago e não pude mais correr como queria. Parei o relógio no tempo de 1h32’39 “, ou seja, 1 ‘e 18″ acima do tempo de Giuliano. Sabia que era um grande contra-relógio, mas não desisti… Vou tentar de novo”, declarou o jovem corredor.

Foto: Saragossa

Confira o vídeo completo abaixo:

CAMERAS: Pep Cuberes, Pau Gonzalez.
TRADUÇÕES: Martina Valmassoi, Catherine Desmurs
EDITOR: Pep Cuberes
FOOTAGE ADICIONAL: Dia Mapei – Andreea Maiolani / Asta e Tonale – Pegaso Media / Tour du Rutur – Marco Camadona /
Série Golden Trail CAST: Davide Magnini, Maurizio Fondriest, Lodovica Magnini, Andrea Maiolani, Nicolo Gal Canclini

Depois do sucesso dos tênis de rua com placas de fibra de carbono, tecnologia lançada pela Nike no ano passado, a novidade agora chega ao mundo trail.

A marca americana The North Face apresentou, nesta semana, seus novos modelos com placa de fibra de carbono, sendo pioneira no uso dessa tecnologia no trail running. Segundo os engenheiros da marca, a tecnologia reduz o impacto e aumenta o retorno de energia.

A empresa colocou à venda oito modelos de tênis de corrida e caminhada que carregam uma nova tecnologia, batizada de Vectiv, que foi testada por atletas por mais de 9600 km e desenvolvida ao longo de dois anos. Inclusive o seu principal corredor de trilha, Pau Capell vem usando o modelo de performance de trilha em sua passagem pelo Quênia.

O Flight Vectiv, modelo de alta performance, foi projetado com a colaboração de ultra corredores de elite e combina características como leveza e a robustez exigida nos calçados para trilha. Ao todo, 14 atletas da The North Face bateram 17 FKTs usando diferentes protótipos Vectiv. De acordo com os engenheiros da The North Face, ele reduz os impactos na área tibial durante as descidas em 10%, e é armado com uma placa 3D Vectiv na sola , entressola Vectiv com balanço pronunciado, sola SurfaceCTRL e malha protetora no peito do pé muito leve. Obtendo assim um calçado muito estável, com grande aderência, grande capacidade de absorção de impactos e um elevado retorno de energia a cada passada.

Os modelos podem ser conferidos no site oficial da marca nos EUA pelo link: https://www.thenorthface.com/vectiv e já estão disponíveis para venda em algumas lojas gringas. O Flight Vectiv está sendo vendido a US$ 199 dólares. No site brasileiro não há nenhum modelo disponível.

Um dos maiores ídolos do trail brasileiro, que já representou nosso país em mundiais de trail running, mountain bike e duathlon, iniciou, em janeiro, uma nova etapa em sua carreira. Mineiro, de Conselheiro Lafaiete, Ernani Souza trocou o pão de queijo pelo chimarrão e se mudou para Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, onde passou a trabalhar na assessoria Companhia dos Cavalos.

Até então, Ernani trabalhava em uma bike shop, em sua cidade natal e, a convite do coordenador geral da assessoria, Cleimar Rodrigo Tomazelli, passou a integrar a equipe da assessoria, que passa por uma fase de grande crescimento, expandindo sua atuação com atendimento específico para triathlon, trail e mountain bike. Devido a seu vasto conhecimento e sua grande experiência como multi atleta, Ernani vai atuar como uma peça coringa na equipe,com supervisão integral de profissionais da área de Educação Física, uma vez que o mineiro não tem formação na área. “Apesar de não praticar natação e não ter sido um triatleta, competi muitas provas de duathlon e a modalidade é uma variável do triathlon”.

Ernani iniciou as competições no sul com força total. Ele foi campeão do percurso de 6 km da Meia Maratona de Gramado

Sua relação com a Companhia dos Cavalos é bem antiga. Seu primeiro contato presencial com a assessoria foi em 2016, quando Ernani foi à capital gaúcha disputar a Maratona de Porto Alegre, em busca de bater seu recorde pessoal, uma vez que a prova é uma das mais propícias para atingir tal feito. Ernani, então, entrou em contato com Cleimar, pedindo suporte para sua logística na prova, uma vez que precisaria de um local para guardar seu material e tomar um banho pós-prova. A Companhia dos Cavalos, junto com outras assessorias, tinha um “QG” montado próximo à largada/chegada e o local foi o oásis encontrado por Ernani para conseguir ir direto para o aeroporto após a prova.

Ele não conseguiu a quebra de seu RP, mas obteve um excelente resultado, com 2h32min, na 6ª colocação geral. Assim, Cleimar conheceu Ernani pessoalmente e estreitaram as relações. Esse primeiro contato fez surgir a primeira parceria, já no ano seguinte, quando Ernani foi convidado a disputar, em dupla com o atleta Elson Gracionli, a Volta à Ilha, prova de revezamento de aproximadamente 140 km, contornando a ilha de Florianópolis, pela Companhia dos Cavalos.

Ernani e Cleimar

A parceria foi um sucesso. Além da vitória, eles conquistaram o recorde da prova e foram tricampeões da prova, conquistando o título nos dois anos seguintes também. De acordo com Ernani, essas sucessivas vitórias foram fundamentais para que suas qualidades fossem reconhecidas e culminassem com esse convite para se mudar para Porto Alegre e trabalhar na Companhia dos Cavalos.

Entre as atuações de Ernani, uma delas será no auxílio da orientação a alunos de mountain bike, um projeto novo oferecido pela assessoria, em que Ernani dará suporte aos alunos desde a parte mecânica e de segurança, até as técnicas de pilotagem. Ernani também vai atuar nas áreas de duathlon e, obviamente, de trail, acompanhando e auxiliando os atletas nas provas e, ainda, competindo em provas, inclusive no Campeonato Gaúcho de Trail.

Ele explica que vai iniciar, em breve, o curso de Educação Física, para que possa, além de auxiliar os profissionais no treinamento prático, colaborar também com a parte teórica, devidamente habilitado para a função.

Ernani declara que o convite mexeu bastante com ele,  e não pois tinha muito mais a ganhar, do que perder e não poderia deixar passar essa oportunidade. “Estou tentando a vida em um lugar novo e estou gostando bastante. A Companhia dos Cavalos tem uma parceria com a PUC-RS e tem à sua disposição uma excelente estrutura, com pista de atletismo profissional, piscina olímpica. Fui muito bem acolhido por todos. Estou com saudade da minha cidade, dos amigos e familiares, da minha esposa, que em breve estará aqui comigo. A meta para o ano é me adaptar totalmente à cidade, iniciar meu curso de Educação Física e, sobre as competições, apesar de estar com 45 anos, ainda sei que posso ser um atleta competitivo, brigando pelas primeiras posições. Minha meta principal, para este ano, são as competições regionais aqui no Estado, para contribuir positivamente com a assessoria e fortalecer minha estadia aqui”, finaliza, destacando que passará a ser filiado à Federação de Atletismo do Rio Grande do Sul, para competir provas que sejam de importância para a Companhia dos Cavalos.

Ernani na companhia de Aline Sena e André Siegle

O Campeonato Mundial e o Campeonato Sul-americano de Trail Running passaram a integrar o calendário oficial da Confederação Brasileira de Atletismo – CBAt. O informação foi noticiada pelo representante do trail na entidade, o treinador Sidney Togumi, no final da última semana.

Togumi vem realizando um trabalho junto a CBAt desde o ano de 2016, quando o Brasil participou pela primeira vez do Trail World Championship (TWC) e afirma que o fato de a competição, juntamente com o continental, integrar o calendário oficial é muito representativo para o cenário do trail running no Brasil, uma vez que demonstra o reconhecimento e a conquista de espaço das provas de trilha e montanha dentro da instituição, já que o atletismo é composto de diversos tipos de provas, como as de pista, de campo e de rua.

Postagem de Sidney Togumi no Instagram

De acordo com o calendário, o Sul-americano de Trail será disputado em Santiago, no Chile, em 04 de setembro de 2021 e o Campeonato Mundial será em Chiang Mai, na Tailândia, de 11 a 14 de novembro.

Segundo Togumi, os critérios que definirão a composição da delegacão brasileira para esses eventos serão discutidos com a CBAt nas próximas semanas, para que possam comunicar à toda a comunidade de trilha e montanha (trail) do Brasil. “Assim todos os interessados poderão planejar sua temporada de forma mais assertiva”, declara.

Será a primeira edição do Campeonato Mundial tendo unificadas as modalidades Trail Running e Corrida de Montanha. Portanto, o TWC agora passa a ser World Mountain and Trail Running Championships.

Ao longo dos quatro dias, o evento incluirá corridas de montanha em ascensão vertical, corridas de trilha curta e longa para adultos e as corridas de montanha clássicas para adultos e sub-20.

Situada 700 km ao norte de Bangkok, às margens do rio Ping, Chiang Mai oferece as belas paisagens mais inesquecíveis e o maior ponto turístico na parte norte da Tailândia. Os arredores montanhosos e a crescente reputação da cidade para eventos esportivos de massa ao ar livre tornam o lugar perfeito para sediar os primeiros campeonatos mundiais combinados.

Este novo evento bienal desenvolve ainda mais a parceria entre a World Mountain Running Association (WMRA), a International Association of Ultrarunners (IAU) e a International Trail Running Association (ITRA).

Com base na criação de uma definição única para corrida de montanha e trilha dentro da família do atletismo, ela substitui os campeonatos mundiais separados de sucesso, realizados respectivamente pela WMRA e IAU / ITRA. Este novo festival global é projetado para atrair os melhores corredores de trilha de elite e de montanha, bem como fornecer oportunidades para os corredores de participação em massa se testarem nos mesmos percursos. É um desenvolvimento estimulante que visa fornecer aos atletas, marcas, associações de atletismo, mídia e fãs do esporte um produto claro e reconhecível no calendário global desta crescente disciplina de corrida.

O campeonato Mundial contará com Km Vertical e disputas em três distâncias: 10 a 12 km com 500 a 700+; 35 a 40 km com fator Itra 45-74 e 75 a 85 km, com fator Itra 115-154, além do Sub 20, com 5 a 6 km e 250 a 350+.

Mais informações em: https://iau-ultramarathon.org/thailand-to-host-first-ever-joint-world-mountain-and-trail-running-championships-in-2021.html