Nova detentora do FKT Boi Preto Ultra

Danielle Reis Boi Preto

No último fim de semana a atleta, Danielle Reis, iniciou sua jornada pelas centenárias trilhas da Boi Preto Ultra, um percurso de aproximadamente 83km com 3700m D+.

O desafio se tornou ainda mais difícil pois a atleta iniciou a corrida às 23h de sexta-feira (07/05) cruzando uma madrugada de muita neblina e frio.

A primeira parte da Boi Preto são 38km sendo que 20 deles é em crista de montanha nos trechos, “fim do mundo e topo do mundo”.

Conversamos com Danielle sobre como foi completar esta travessia que já é considerada uma das mais duras do Brasil.

Passar a noite naquele primeiro trecho foi muito difícil, muito vento e não dava para enxergar nada. Frio não senti porque estava bem agasalhada e nesse trecho perdemos muito tempo dentro das nossas perspectivas.

Depois disso tivemos que correr atrás e nisso acabei me distanciando do Kleitinho.

Quando entrei na porteira que inicia o Boi realmente, uma chave virou e dei meu melhor. Me esforcei, me dediquei e fui buscar o tempo perdido.

O percurso é difícil e como é, não tem quase trégua nenhuma para recuperar. Ali é coragem, colocar em prática os treinos, esforço constante. É uma batalha e um desafio a cada momento.

Dá vontade de desistir mas nessa hora o sonho e a vontade de vencer falam mais alto e nos impulsionam. Além de saber que todos estavam torcendo por mim.

Tive apoio incrível do meu treinador. Thiago Aguiar e meu preparado, físico Klaus, que quando propus fazer a Boi Preto embarcaram no meu sonho.

Concluir já é uma realização e euforia e parabenizo a todos que seguraram esse Boi pelo chifre.

Danielle não só concluiu a Boi Preto Ultra como também é a nova detentora do FKT (Fastest Know Time – melhor tempo conhecido).

Estou surpresa e contente com meu resultado, principalmente por que meu início não foi tão bem.
Esse Boi é coisa de louco, nuuuu!!!
Mas hoje ele me proporcionou uma felicidade imensa. E eu posso dizer: venci esse Boi Bandido.
Só temos a parabenizar pelo belíssimo resultado e fica o convite a mais atletas desafiarem este “Boizão” e tentar buscar melhorar os tempos.

Seguem FKT’s

Masculino:
Solo:
– Roger Darrigrand (Supported 12h05min, Unsupported 12h24min)
– Francisco Ottoni (Self-supported 13h46min)
Feminino:
– Danielle Reis (Supported 19h05min)

Boi Preto – Minha história

Capa Site Boi Preto
Por: Valmir Lana Jr.

Era 23:40h da noite de uma sexta-feira quando desci do carro na escuridão para percorrer os longos e solitários 84 quilômetros da Boi Preto (@boipretoultra).

Sem eu saber a Gabi (@gabspaschoalini), minha esposa, filmou o momento, eu já estava pilhado e procurava um local para “guardar” minha garrafa de 1,5L de água numa moita pois passaria neste mesmo local por volta de 03:00h da madruga com 28km nas pernas...

Noite sem lua, trilha dos escravos escorregava muito, como de costume, muito cuidado pra não machucar nesta descida difícil de 3,5k com -400m de desnível.

Durante o percurso de 10k em estrada pude correr tranquilo, até aparecer uns 10 cachorros pra testar o sangue frio do cidadão aqui...

Enfim cheguei ao bar do Riva e segui pra trilha que levaria a primeira cachoeira e ao topo da montanha da Serra da Moeda, o trecho conhecido como “fim do mundo”...

No meio da subida a neblina veio como um lençol em conjunto com a luz da lanterna, não conseguia ver onde pisava, mas tbm não queria andar, mais tropicava que corria, mas fui, finalizei os 28km em 3h 15’, um pouco acima do pretendido, mas tava feliz de ter chegado na minha garrafa que tinha escondido na moita!

Agora era hora de pegar mais 10km do trecho conhecido como “Topo do Mundo”, a neblina havia ficado pra trás, mas a escuridão de uma noite sem lua não me dava visão além do que a lanterna iluminava, era somente olho na trilha e segue o jogo...

Quem conhece este trecho sabe como tem subida, curtas, mas bem íngremes e técnicas... mas pra mim foi muito corrivel, me lembro de andar umas duas vezes ou três, no máximo... desta vez fiz o trecho um pouco mais rápido que o planejado...

Cheguei no final do Topo do Mundo feliz, já tinha passado de 5h de corrida e 38km... agora viria uma longa e penosa descida de uns 10km e mais 5k com subidas e descidas até chegar ao pé da trilha que da nome ao desafio...

Eu tentava decifrar uma passagem e acabei caindo dentro de uma vala que não dava pra ver... fiquei assustado pois ainda estava escuro e não sabia a profundidade ou o que teria la dentro... bati meu lado esquerdo bem forte e sai rápido dali e nem olhei o Wikiloc, sai num vara mato pois sabia que a trilha estava praquele lado... e realmente encontrei!

Dei aquele confere na perna esquerda e vi que foram so escoriações leves e segui em ritmo bom, a descida é forte, em asfalto, o dia amanhecia, podia ver o sol iluminando a parte debaixo de algumas nuvens, o ar fresco ainda arrepiava a pele e sentia que o dia, dali pra frente, seria quente!

Não tinha jeito, aquela descida faz vc travar todos os passos e vai moendo sua musculatura... não dava pra soltar as pernas pois pagaria caro la na frente mas travar tbm não era um bom negócio...

No fim da descida aproveitei para comer mais, me hidratar bem e jogar o lixo fora... passei em Piedade do Paraopeba com 6h e pouco de corrida e me permiti andar um pouco, comi uns doces com calma, bebi água tranquilo e quando fui voltar a correr senti uma dor na minha virilha, em seguida doeu “meio que a cabeça do meu fêmur esquerdo”; voltei a andar, apalpei e não doeu... pensei que teria sido a pancada no capote na vala... voltei a correr pra ver se parava, mas não parou, não estava insuportável, mas estava lá!

Quando cheguei no km 53, entrada da trilha da Boi Preto, pensei: “agora que vai ficar difícil”... - lembro que tinha feito este mesmo trecho no sábado anterior, são 31km com 1900+ muito travado - me questionei se valia a pena seguir e decidi abortar e ir direto pra Casa Branca (+ 6km).

Em 3 semanas eu estaria na Patagônia Run para correr as 100 milhas e arriscar uma lesão tão próximo seria mais que imprudência, seria burrice mesmo!

Segui feliz pra Casa Branca sabendo que tinha feito um BAITA treino, foram 58km com 2400+ em 7h40’.

Na chegada uma boa Coca gelada, um torrone e aquela msg pra patroa, “pode me buscar já”...

No fim das contas, sabadão ainda tomei café da manhã com minha mulher e comi muita porcaria o resto do fds!

Minha história com a Boi Preto ta 2x1 pra ele... mas tá longe do apito final... em breve teremos mais!

Como é bom ter algo como a Boi Preto do lado de casa pra te por medo, te derrubar e, às vezes, você conseguir finalizar! Muito aprendizado envolvido!

A história por trás da foto: Um “cãopeão” no deserto do Sahara

Conhecida como sendo uma das ultramaratonas mais difíceis do planeta, a Marathon des Sables teve um protagonista inesperado na edição de 2019. Além dos aventureiros humanos que se desafiaram ao longo das seis etapas, num total de 251 km, um cão que decidiu fazer o percurso em pleno deserto do Sahara.

Cactus, como foi batizado, não fez a primeira etapa, mas juntou-se ao pelotão da segunda em diante, completando juntamente com o pelotão da frente. Cactus precisou de apenas onze horas para completar os 75 km da etapa rainha da prova (o tempo de corte era de 31 horas). O nome dele até aparece na classificação final, com o numeral #000.

Os corredores pretendiam levá-lo às próximas edições da prova, mas infelizmente, no início de fevereiro do ano passado, Cactus morreu atropelado perto de sua casa, em Marrocos.